“O Que São Livros Vivos” por Elizabeth Wilson

Um dos conceitos fundamentais de Charlotte Mason era que era de importância primária que todas as crianças estivessem confortáveis em casa com livros e fossem guarnecidas de livros interessantes, escritos de forma excelente, na mais ampla quantidade de tópicos possíveis – livros que materializassem ideias e ideais em harmonia com os valores tradicionais. Ela chamava tais livros de “livros vivos”, e sua própria vasta experiência como educadora demonstrou conclusivamente que quando uma criança tem uma contínua relação com tais livros, ela estará participando entusiasticamente da mais efetiva forma de educação.

Uma variedade de livros oferece boa literatura e clareza sobre a natureza e a experiência humana, conhecimento sobre lugares, pessoas, eventos, processos, causas, efeitos – tudo isso é absorvido na medida em que a criança lê. Isso acontece quando o livro é uma estória bem contada, uma biografia ou história bem escrita, um livro que mostra as obras de grandes artistas, ou simplesmente um livro bem elaborado sobre como plantar uma horta com sucesso. Ao mesmo tempo, o tipo de conhecimento essencial também está sendo absorvido: o vocabulário está sendo construído, a leitura e a pronúncia estão sendo grandemente auxiliadas, e a exposição repetitiva a vários modelos de boa escrita ensinam o leitor a colocar seus próprios pensamentos em uma forma escrita eficiente.

De ainda maior significado são os valores morais e éticos (e frequentemente espirituais) transmitidos pelos livros. Quando uma criança se identifica com um personagem, quer seja real ou fictício, que demonstra coragem, fé, honestidade, determinação, bondade ou quaisquer outras qualidades tão importantes de serem nutridas no caráter da própria criança, todos estes valores são reforçados na consciência dela. Quando os resultados da desonestidade, falta de bondade, falta de cuidado, hipocrisia e outros comportamentos errados são observados no curso de uma estória ou da história de uma nação, a verdade é aprendida com eficácia duradoura.

A história em si mesma (quer seja fato ou ficção), seu contexto e boa escrita combinam para garantir o interesse do jovem leitor; mas, ao mesmo tempo, valores sólidos são reforçados, ideias relevantes são introduzidas, e o estoque permanente de conhecimento geral da criança é prazerosamente ampliado. Outros livros vivos mostram à criança como se preparar para um acampamento, como cuidar dos animais de estimação, como aprender sobre a natureza, como fazer uma grande variedade de artesanatos. Ainda, outros compartilham empolgantes descobertas ou adentram o universo de grandes artistas e suas obras.

O PRIMEIRO CRITÉRIO para selecionar um livro é o ponto essencial de que ele deve prontamente capturar e prender o interesse do leitor. Então, dependendo da categoria e do propósito do livro, ele deve dispor de algumas ou de todas as seguintes características: prover um “tapete mágico” que transporte a criança para lugares distantes; oferecer vislumbres fascinantes sobre vidas diferentes da sua própria; fornecer completa alegria ou entretenimento saudável; aumentar o entendimento daquilo que é verdadeiro e real; incorporar ideias ou questões significativas de forma natural e credível; estimular a imaginação e a criatividade; encorajar o pensamento lógico, a curiosidade e as perguntas; proporcionar informação clara e precisa sobre tópicos específicos.

O SEGUNDO CRITÉRIO está relacionado com a qualidade literária dos próprios escritos. Isso está, é claro, inexplicavelmente ligado às qualidades mencionadas anteriormente, pois livros de qualidade literária são escritos com os dons da imaginação, entendimento e visão, uma compreensão elevada do uso da linguagem e um estilo prazeroso, que são capazes de criar livros exatamente com as qualidades das quais já falamos.

Nesse contexto, é importante distinguir entre “boas intenções” e boa escrita. O fato de que o escritor pudesse ter desejado transmitir alguma verdade valiosa ou alguma experiência empolgante (ou ambas) por si só não qualifica sua obra como boa, e devemos ter cuidado com livros que trazem uma linguagem pobre. Isso não significa restringir nossa lista apenas aos livros de altíssima excelência literária; deve haver uma boa proporção de tais livros, mas também deve haver uma sólida representação de material que seja muito bom em relação a sua função, e que seja, ainda que não se trate de literatura atemporal, bem elaborada e eficiente.

O TERCEIRO CRITÉRIO tem a ver com os valores implícitos do escritor, na medida em que são revelados em sua obra por meio de uma grande variedade de pessoas em diversas circunstâncias. É importante que as crianças tenham uma conscientização fundamentada e um crescente entendimento da realidade existente fora de sua própria experiência imediata.

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FONTE: Books Children Love, de Elizabeth Wilson

Tradução: Arielle Pedrosa

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