“Fundamentos para os Anos Pré-escolares” por Sonya Shafer

Pode ser um pouco assustador enfrentar a educação em casa pela primeira vez, sem ter ideia do que esperar! “Esses primeiros anos lançam o fundamento”, é o que nos dizem frequentemente. Sim, é verdade. Mas as prioridades que Charlotte Mason tinha muitas vezes soam um pouco diferente (bem, provavelmente mais do que “um pouco”), porque este “fundamento” não enfatiza o que normalmente as pessoas assumem que irá enfatizar.

Em vez de pressões acadêmicas ou sociais, Charlotte Mason incentivava as mães a dar aos seus pequeninos um total de seis anos de desenvolvimento de bons hábitos, familiarização com a natureza, exploração do mundo por meio dos cinco sentidos, crescimento em suas vidas espirituais e brincadeiras ao ar livre. Com isso em mente, aqui estão as nossas sugestões para os primeiros anos.

Formando Hábitos

Algumas semanas atrás, eu estava nas montanhas do Colorado e notei um poste incomum. Este poste era feito a partir de uma árvore. Mas, isso não era a parte incomum. A parte incomum era o encaracolado que o tronco da árvore fazia logo abaixo da lâmpada. Parecia um daqueles canudinhos bobos que fazem voltas no meio.

Alguém tinha treinado aquela árvore para crescer daquele jeito enquanto era apenas uma muda. Claro, árvores completamente adultas também podem ser treinadas para crescer de certas maneiras, mas é muito mais fácil moldar uma árvore quando ela é jovem e flexível.

Charlotte Mason expressou o mesmo princípio desta forma para os pais:

“O que você deseja que o homem se torne é o que você deve treinar a criança a ser” (Vol. 2, p. 15).

Os anos pré-escolares são o momento perfeito para se concentrar em formar bons hábitos em nossas crianças. Nunca é tarde demais para incutir um bom hábito, mas será muito mais fácil se incutirmos bons hábitos desde o início!

Dos sessenta ou mais hábitos que Charlotte recomendava, dois devem ser prioridade para os pais de crianças pré-escolares: o hábito da atenção e o hábito da obediência. Aqui vão mais alguns dos pensamentos de Charlotte sobre o assunto.

Perceba que seu filho não vai simplesmente abandonar seus próprios defeitos.

Enfrentemos o fato, nossos pequeninos são frequentemente fofos quando fazem algo errado. Mas, os pais não podem se dar ao luxo de rir de temperamentos feios ou da desobediência.

“Eles dizem: ‘A criança é muito pequena; ela não conhece nada melhor; mas tudo isso será corrigido na medida em que ela cresce”. Porém, uma falha de caráter negligenciada não pode fazer outra coisa além de crescer em força.” (Vol. 2, p. 87).

Seja consistente.

A chave para incutir qualquer hábito é a repetição. Quanto mais vezes nossos filhos fizerem a coisa certa, mais fácil se tornará. Rapidamente eles serão capazes de fazer a coisa certa sem precisar parar para pensar a respeito. Mas, se eles fizerem a coisa certa apenas uma ou duas vezes e, em seguida, forem autorizados a fazer a coisa errada cinco vezes, teremos eliminado qualquer progresso nesse novo hábito e será necessário começar tudo de novo. Portanto…

Ajude seu filho a praticar o bom hábito tantas vezes quanto possível.

Como é que isso funciona na prática? Aqui está um exemplo para cada um desses dois hábitos principais:

  • Atenção: Incentive seu filho a olhar para um objeto por um pouco mais de tempo a cada vez.

“Um bebê, não obstante os seus maravilhosos poderes de observação, não tem poder de atenção; em um minuto, o brinquedo cobiçado cai de seus dedinhos apáticos e seu olhar errante brilha sobre alguma nova alegria. Mas, mesmo nesta fase, o hábito de atenção pode ser treinado: o brinquedo descartado é recolhido, e, com um “Bonito!” e uma exibição muda (silenciosa) do brinquedo, a mãe mantém os olhos do bebê fixos por mais alguns minutos; e isto é a sua primeira lição de atenção. Mais tarde, como já vimos, a criança estará ansiosa para ver e lidar com cada um dos objetos em seu caminho. Mas, observe-o em suas investigações: ele pula de uma coisa a outra com menos propósito do que uma borboleta entre flores, não permanecendo em nada tempo suficiente para obter algo de bom daquilo. É dever da mãe complementar a capacidade de observação rápida da criança com o hábito da atenção. Ela deve assegurar que a criança não viaje de uma coisa a outra, mas observe algo tempo suficiente para obter uma verdadeira familiaridade com o objeto”. (Vol. 1, pp. 139, 140).

  • Obediência: Espere e insista em uma obediência pronta, alegre, e duradoura sempre.

“Este é o tipo de coisa fatal: As crianças estão na sala de estar, e um chamado é feito. “Subam agora mesmo”. “Oh, querida mãe, deixe-nos ficar no canto próximo à janela; vamos ficar tão quietos como ratos!” A mãe está bastante orgulhosa das boas maneiras de seus filhos, e eles ficam. Eles não ficam quietos, é claro; mas esse é o menor dos males; eles conseguiram fazer aquilo que queriam e não o que foram ordenados, e eles não colocarão seus pescoços sob o jugo novamente sem lutar. É nas pequenas coisas que a mãe é inferiorizada. “Hora de dormir, Willie!” “Oh, mamãe, deixe-me apenas terminar isso”; e a mãe cede, esquecendo-se, pois o caso em questão é irrelevante. O que mais importa é que a criança deve ser diariamente confirmada no hábito da obediência pela repetição contínua de atos de obediência. É surpreendente o quão astuta a criança é em encontrar formas de escapar do espírito, enquanto observa a letra. “Mary, entre” “Sim, mãe”; mas sua mãe chama quatro vezes antes que Mary venha. “Recolha seus blocos”; e os blocos são recolhidos com os dedos lentos e relutantes. “Você sempre deve lavar as mãos quando ouvir o primeiro sinal”. A criança obedece daquela vez, e nunca mais.

“Para evitar estas exibições de obstinação, a mãe deve insistir desde a primeira vez em uma obediência rápida, alegre, e duradoura — protegida dos lapsos de memória por parte da criança. Obediência tardia, desinteressada e ocasional quase não vale à pena; e é muito mais fácil dar à criança o hábito da obediência perfeita ao nunca lhe permitir qualquer outra coisa, do que obter essa mera obediência formal por meio um constante exercício de autoridade”(Vol. 1, pp. 163, 164).

Sim, podemos listar páginas e páginas de outras dicas práticas, mas comece com essas duas. Coloque-as em prática de forma consistente e veja como esses novos hábitos vão treinar a direção da vida do seu filho.

Aprendendo com os Sentidos

No álbum de bebê da minha filha tem duas ótimas fotografias “pré-escolares”. Uma foi tirada depois dela tentar comer sorvete de chocolate na casquinha. A blusa dela está toda melada, suas mãos estão pingando — e eu nunca saberei como ela conseguiu fazer o sorvete ir parar até em suas sandálias.

A outra fotografia é dela parada em nosso quintal com manchas marrom-escuras ao redor de sua boca. Então, o observador casual poderia pensar que tinha sido outra experiência com sorvete de chocolate. Mas não tinha. Naquele momento, ela estava tentando comer terra.

Sujeira. Chocolate. Ambas são brincadeiras legítimas para nossos pequenos. E eles não têm reservas quanto a usar todos os sentidos para aprender sobre as coisas com as quais entram em contato. Não, minha filha não come terra agora. Isso porque ela usou todos os seus sentidos e descobriu que a terra não era tão saborosa.

Bebês e crianças pequenas usam seus sentidos para aprender sobre tudo o que as rodeia. Este é o principal trabalho delas durante os anos pré-escolares. Charlotte Mason aconselhava os pais a fornecer amplas oportunidades e tempo de sobra para que as crianças pudessem aprender desta forma. Ela queria que nós incentivássemos nossos filhos neste trabalho.

Aqui estão algumas das ideias práticas de Charlotte de como podemos incentivar os nossos filhos em idade pré-escolar enquanto aprendem com seus cinco sentidos.

Tire vantagem de exemplos práticos informais para salientar um ou dois aspectos de um objeto.

Provavelmente todos nós já vimos um “exemplo prático” que foi programado e estruturado. Mas os melhores exemplos práticos são espontâneos, quando nos deparamos com um objeto em seu ambiente natural ou no curso da vida cotidiana.

“A criança que descobre aquele objeto lindo e maravilhoso, um ninho de vespas abandonado, junto a um galho seco, pode obter seu primeiro exemplo prático de seu pai ou sua mãe. A cor cinza, a forma simétrica arredondada, o tipo de arranjo esférico, a textura de papel, o tamanho e suavidade em comparação com outros objetos, o odor ou a falta dele, a leveza extrema, o fato de que não é frio ao toque — estas e cinquenta outras particularidades a criança descobre a olho nu, com não mais do que palavras aqui e ali para dirigirem sua observação. Ninguém encontra ninhos de vespa todos os dias, mas muita coisa pode ser obtida de objetos comuns, e quanto mais comum melhor, pois cai naturalmente sob a observação da criança, um pedaço de pão, um torrão de carvão, uma esponja” (Vol . 2, pp. 182, 183).

Use objetos do cotidiano para ensinar seu filho sobre peso.

Quando meus filhos eram pequenos, costumávamos brincar juntos na seção de verduras do supermercado. Eu enchia um saco com verduras, e cada um de nós dava uma volta segurando-o e tentava adivinhar seu peso. Então, colocávamos o saco na balança e víamos quem havia se aproximado mais do peso.

“Cartas, encomendas de livros, uma maçã, uma laranja, sementes, diversas coisas no decorrer do dia dão oportunidades para este tipo de ensino prático” (Vol. 2, p. 184).

 

Use objetos do cotidiano para ensinar seu filho sobre tamanho.

“Da mesma forma, as crianças devem ser ensinadas a medir objetos com o olhar. Qual é a altura do castiçal? Qual a largura e comprimento da moldura daquele quadro? E assim por diante — verificando suas declarações” (Vol. 2, p. 185).

Use situações cotidianas para incentivar seu filho a ouvir atentamente.

Comece com exercícios fáceis, como “nomeie tudo o que você está ouvindo” (a propósito, esse é um ótimo jogo para salas de espera ou restaurantes demorados). Em níveis mais avançados, vocês podem ser capazes de nomear “em ordem, do som menos agudo para o mais agudo”. Faça distinção entre as notas musicais emitidas pelos pássaros; entre os quatro ou cinco sons que se escutam no fluxo de um riacho. Cultive a precisão em distinguir passos e vozes; em discernir, com os olhos fechados, a direção da qual um som procede, em que velocidade está se movendo” (Vol. 2, p. 185).

Você pode inventar brincadeiras semelhantes para cultivar o sentido do tato, olfato e paladar de seus filhos. Nenhum desses “exercícios” precisa ser formal ou estruturado. Simplesmente esteja atento para agarrar a vantagem natural que a vida familiar dispõe para aprender através dos sentidos.

E não se esqueça de tirar muitas fotografias.

Vida ao Ar Livre

“Neste momento de extraordinária pressão educacional e social, talvez o principal dever de uma mãe para com seus filhos seja garantir-lhes um tempo de crescimento tranquilo, seis anos completos de vida passivamente receptiva, gastando a maior parte do tempo acordado fora de casa, respirando ar fresco” (Vol. 1, p. 43).

Você percebeu? Mesmo nos dias de Charlotte Mason, há cem anos, as mães já se sentiam pressionadas a empurrar seus filhos pré-escolares na direção de atividades acadêmicas e sociais. Mas, Charlotte defendia uma abordagem oposta, que ainda detém benefícios para você hoje.

Dê-lhes um tempo de crescimento tranquilo, gasto, em sua maior parte, fora de casa.

Aqui estão algumas atividades que Charlotte recomendava para aquelas horas fora de casa com as crianças.

  • Refeições

Faça suas refeições fora sempre que possível, mesmo que você prepare o almoço na cozinha e leve os pratos para um lençol no quintal. Comer fora é agradável e bom para seus filhos.

  • Brincadeira livre em um lugar aberto

Crianças pequenas precisam de muito tempo para brincadeiras desestruturadas. Quanto mais elas dependerem dos adultos para dizer-lhes do que brincar e como brincar, menos iniciativa elas irão desenvolver. Dê a seus filhos tempo de sobra para correr e brincar em lugares abertos. Se você não tem um quintal que sirva para este fim, vá a um parque ou campo nas proximidades.

  • Passeios turísticos

Charlotte usou o termo “passeios turísticos” para designar a exploração das diferentes áreas nas imediações da criança. Desafie seus filhos a explorarem uma determinada área, respeitando a propriedade de outras pessoas, e virem relatar a você tudo o que descobriram. É uma ótima maneira de praticar os hábitos de observação e veracidade.

  • Pintando imagens

De vez em quando, chame a atenção de seus filhos para uma bela cena ao ar livre que todos podem ver juntos. Encoraje-os a observarem até que possam fechar os olhos e lembrarem-se dos detalhes. Se qualquer parte ainda não estiver clara, deixe que eles abram os olhos e observem novamente até que a imagem esteja pintada na galeria de arte em sua mente. Quando eles estiverem prontos, estimule-os a descrever a imagem para você em detalhes sem olhar para a cena original.

  • Jogos como pular corda, pique-pega, o mestre mandou, escalada

Ensine a seus filhos as velhas brincadeiras que as crianças têm brincado por séculos. Encoraje-os, a princípio, a escalarem pequenas alturas para ganharem confiança (a deles e a sua!) e aprenderem suas limitações por meio de um pequeno perigo. Em outras palavras, deixe que usem aquela energia ilimitada ao ar livre!

  • “Lições” em língua estrangeira

Se seus filhos estão aprendendo uma segunda língua, você vai encontrar muitas oportunidades naturais fora de casa para ensinar novas palavras. Nomeie alguns objetos em vista. Dê-lhes os nomes das atividades que estão fazendo ao ar livre. Estas “lições” não precisam ser longas ou formais. Simplesmente tire proveito do tempo ao ar livre para ampliar o vocabulário de seus filhos nesta segunda língua.

  • Conhecimento pessoal da natureza

Use as horas fora de casa para nutrir em seus filhos um amor pela natureza. “Um amor pela natureza  ̶  implantada tão cedo que posteriormente vai parecer ter nascido neles  ̶  irá enriquecer as suas vidas com interesses puros, ocupações envolventes, saúde e bom humor” (Vol. 1, p. 71).

Portanto, leve seus filhos para fora de casa e desfrute de algum tempo de crescimento relaxante ao ar livre. Você e seus filhos serão gratos por sua atitude.

Livros e Historias

Meus filhos sempre amaram bons livros. Lembro-me quando meus dois primeiros estavam na fase pré-escolar, nós tínhamos dois momentos de leitura reservados todos os dias. Eles vinham correndo para o sofá com os braços cheios com seus livros escolhidos, e nós líamos. . . e líamos . . . e líamos. Rapidamente tive que começar a definir o cronometro para vinte minutos, para que eu não perdesse a voz.

(A propósito, uma pilha de livros é uma grande oportunidade para introduzir o conceito de “ordem alfabética”. Ao invés de discutirem sobre qual livro deve ser lido primeiro, eu os ajudava a organizar a pilha em ordem alfabética, de acordo com o título, em seguida, acertava o cronômetro e lia tanto quanto conseguíamos até que o alarme disparasse.)

Hoje em dia, somos inundados com todos os tipos de livros infantis nas bibliotecas, na livraria local, na Internet, por meio de clubes, e até expostos em catálogos em nossas caixas de correio. Algumas pessoas consideram que qualquer livro seja bom, contanto que a criança aprenda a gostar de ler. Mas Charlotte Mason se posicionou contra essa filosofia. Seus padrões de livros infantis — mesmo os pré-escolares — eram altos.

Aqui estão alguns dos pensamentos de Charlotte sobre a escolha de livros e histórias para os anos pré-escolares.

  • Certifique-se de selecionar bons livros, não bobalhões*.

“Eles devem crescer cercados do melhor. Nunca deve haver um período em suas vidas em que eles sejam autorizados a ler ou ouvir tolices* ou leituras facilitadas  ̶  paráfrases simplificadas” (Vol. 2, p. 263). Bons livros apresentam ideias nobres, justas, e amáveis em bela linguagem. Linguagem abobalhada* inferioriza a criança e assume que ela não consegue entender muita coisa.

  • Você pode precisar solicitar que nenhum livro seja dado para seu filho como presente.

Embora Charlotte não tenha tido seus próprios filhos, ela compreendeu a situação embaraçosa que ocorre em muitas famílias quando os parentes dão livros infantis que não cumprem as normas dos pais. Se você enfrenta esta luta, “Talvez, para algumas famílias, um informativo impresso esclarecendo que livros para as crianças não serão bem-vindos como presentes, pode ajudar bastante.” (Vol. 2, p. 263).

  • Tente selecionar livros que alimentem a imaginação de seu filho.

“As crianças devem ter a alegria de viver em terras distantes, em outras pessoas, em outros tempos — uma agradável dupla existência; e eles irão encontrar a maior parte deste deleite nos livros”. (Vol. 1, p. 153)

  • Prepare um repertório de boas histórias para contar.

Charlotte também encorajava os pais a preparar cerca de uma dúzia de “lindas histórias lindamente contadas” (Vol. 5, p. 216). Contação de histórias tem muitas vantagens, e uma não menos importante é que o pai se torna aquele que alimenta diretamente a mente de seu filho. Ao ler um livro, o pai é simplesmente o intermediário entre as ideias do autor e da criança. Contar uma história, sem um livro na mão, permite-lhe olhar nos olhos de seu filho e observar seu deleite enquanto a história se desenrola. Isso proporciona preciosos momentos que brevemente serão deixados para trás e, no entanto, podem permanecer como memórias de infância e tradições familiares.

Nunca é cedo ou tarde demais para começar a construir o seu repertório de belas histórias bonitas e sua biblioteca familiar de “bons livros, livros consideráveis e bem escritos” (The Story of Charlotte Mason, p. 5).

* No original Twaddle: é uma palavra muito importante nos textos de Charlotte Mason e diz respeito à linguagem infantilizada, medíocre e bobalhona utilizada em vários livros infantis, que não enriquece o vocabulário da criança e menospreza sua capacidade intelectual.

Cultivando a Vida Espiritual

Se você ainda se lembra do primeiro post desta série, citei o que Charlotte Mason acredita serem os principais deveres dos pais durante os anos pré-escolares:

  1. “Formar em seus filhos hábitos corretos de pensamento e comportamento”, e
  1. “Alimentar seus filhos diariamente com amor, justiça, e ideias nobres” (Vol. 2, p. 228).

Ambos os deveres mencionados entram em jogo na medida em que você cultiva a vida espiritual de seus filhos. As sugestões práticas de Charlotte Mason vão ajudá-lo a estabelecer um fundamento maravilhoso para a caminhada do seu filho com Deus. Aqui estão apenas algumas de suas ideias:

  1. Hábitos corretos de pensamento e comportamento

  • Observe as suas próprias atitudes e conversas perto de seu filho.

A atmosfera em que a criança cresce exercerá profunda influência sobre os seus pensamentos e ações. Portanto, cultive cuidadosamente a sua própria caminhada com Deus, pois é de seu coração que suas atitudes e palavras fluem. Além disso, seja sensível às orelhinhas que estão escutando e aos olhinhos que estão observando. “Vemos como o destino de uma vida é moldada no berçário pelo uso reverente do Nome Divino ou pela facilidade em zombar das coisas santas; pela consciência de dever que a pequena criança adquire, que a leva a terminar conscientemente sua pequena tarefa; ou pela dureza de coração que atinge a criança que observa as falhas ou tristezas dos outros sendo tratadas de maneira vã” (Vol. 2, pp. 39, 40).

  • Infunda um amor pela Palavra de Deus.

“O que é exigido de nós é que devemos implantar um amor da Palavra; que os momentos mais agradáveis do dia da criança sejam aqueles em que sua mãe lê as belas histórias da Bíblia para ela, com uma doce simpatia e uma santa alegria na voz e nos olhos” (Vol. 1, p. 349). As narrativas do Antigo Testamento e os Evangelhos são excelentes para leitura em voz alta nos anos pré-escolares.

  • Ore por seu filho e com o seu filho.

“Quantas vezes por dia uma mãe ergue seu coração a Deus enquanto vai e volta em meio a seus filhos, e eles nunca percebem!” (Vol. 2, p. 55). Ore com seu filho, tanto como uma questão de rotina (hora de dormir, refeições, etc.) quanto espontaneamente ao longo do dia. Deixe que seu filho te ouça agradecendo a Deus por Sua bondade.

  1. Ideias Nobres, Justas e Amáveis

Além de cultivar bons hábitos espirituais de pensamento e comportamento, Charlotte encorajava os pais a apresentarem ideias sobre Deus que iriam ministrar especialmente a uma criança em meio às várias questões da vida. Aqui estão algumas dessas ideias nobres, justas e amáveis que você pode oferecer a seu filho nos momentos certos, enquanto vocês caminham pela vida juntos.

  • Cristo é o Doador da alegria.

As crianças pequenas conseguem abraçar rapidamente a ideia de que Jesus nos dá toda boa dádiva e nos traz alegria.

  • Deus é um Socorro sempre presente.

“Não é um Deus distante, uma abstração fria, mas uma Presença espiritual calorosa e cheia de vida junto ao seu caminho e junto à sua cama — uma Presença na qual a criança reconheça proteção e ternura em meio à escuridão e ao perigo, para a qual ela corra como uma criança tímida que busca esconder o rosto nas saias de sua mãe” (Vol. 2, p. 47).

  • Deus é nosso Pai Celestial.

“Talvez a primeira ideia vital a ser apresentada às crianças é a da terna paternidade de Deus; que elas vivem e se movem e têm sua existência dentro do abraço divino. Deixe as crianças crescem nessa segurança alegre e, nos dias futuros, a infidelidade a este mais íntimo de todos os relacionamentos será uma coisa tão vergonhosa aos seus olhos como era aos olhos da Igreja Cristã durante a era da fé” (vol. 3, p. 145).

  • Cristo é o nosso Rei.

“Em seguida, talvez, a ideia de Cristo ser Rei sobre elas está pronta para tocar as fontes da conduta e despertar o entusiasmo da lealdade nas crianças, as quais, todos sabemos, têm naturalmente a tendência de prestar devoção heroica àquilo que eles consideram heroico” (vol. 3, p. 145).

  • Jesus é o Salvador e Perdoador dos pecados.

“Talvez um pequeno ofensor desobediente, apaixonado ou emburrado e normalmente endurecido seja assim simplesmente porque não sabe, com qualquer tipo de conhecimento pessoal, que existe um Salvador do mundo, que tem perdão imediato e amor duradouro para ele” (Vol . 3, p. 146).

Charlotte tinha muito, muito mais a dizer sobre o cultivo da vida espiritual de uma criança durante os anos pré-escolares — ideias como apontar a obra de Deus na criação, não usar a Bíblia para criticar uma criança por seus defeitos, bem como dicas para manter o tempo de leitura da Bíblia renovado e deleitoso.

Retirado de Educação em Família

Reproduzido e traduzido com a permissão de Simply Charlotte Mason.

Traduzido por Arielle Pedrosa

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