“A Arte da Narração” por Charlotte Mason

narrationCrianças Narram Por Natureza.

Narrar é uma arte, como fazer poesia ou pintar, porque está dada, na mente de toda criança, esperando para ser descoberta, e não é o resultado de nenhum processo de educação disciplinar. Um decreto criativo o chama à existência. “Narre”; e a criança narra fluentemente, copiosamente, em seqüência ordenada, com detalhes gráficos e precisos, com uma escolha justa de palavras, sem verbosidade ou tautologia, tão logo ela consiga falar com facilidade.

Este dom incrível com o qual as crianças normais nascem pode permanecer sem cultivo em sua educação. Bobbie volta para casa com uma narrativa heróica de uma briga que ele assistiu entre “Duke” e um cachorro na rua. É maravilhoso! Ele viu tudo e conta tudo com vigor esplêndido em verdadeira veia épica; mas o nosso desprezo pelas crianças é tão arraigado que não vemos nada nisso, a não ser o jeito tolo e infantil de Bobbie! Ao passo que aqui está o plano base de sua educação, se tivermos olhos para enxergar e graça para edificar.

Até que ele tenha seis anos, que Bobbie narre apenas quando e o que ele tiver interesse. Ele não deve ser chamado para contar nada. Será este o segredo das longas conversas estranhas entre criaturas de dois, quatro e cinco anos que nos divertimos observando? É possível que elas narrem enquanto ainda são inarticuladas, e que outra pessoa inarticulada as compreenda? Elas nos testam, pobres e prezados anciãos, e nós respondemos ‘Sim’, É claro!’ ‘Você acha?’ ao balbucio de cujo significado não temos compreensão. Seja como for, não temos garantia do que se passa na obscura região “abaixo de dois anos” . Mas, espere até que o rapazinho tenha palavras e ele “contará” sua história infinitas vezes a quem quer que a escute, mas, por opção, a seus próprios pares.

Este Poder Deve Ser Usado na Educação Delas.

Que possamos fazer uso dos bens divinamente fornecidos. Quando a criança tiver seis anos, não antes disso, peça-a que narre o conto de fadas que lhe foi lido, episódio por episódio, depois de os ter escutado uma única vez; os relatos bíblicos lidos para ela diretamente da Bíblia; a história de animais bem escrita; ou tudo sobre outras terras de algum volume como O Mundo em Casa. O menino de sete anos de idade terá começado a ler por si mesmo, mas ainda deverá obter a maior parte de sua nutrição intelectual por meio da audição, certamente, mas de leituras feitas a partir de livros. Geografia, esboços da história antiga, Robinson Crusoé, O Progresso do Peregrino, Contos de Tanglewood, Heróis de Asgard e muitos outros de mesmo calibre, devem ocupar a criança até os oito anos. Os pontos a serem levados em conta são que a criança não deve ter um livro que não seja um clássico infantil; e que, dado o livro certo, ele não deve ser diluído com conversa ou interrompido com perguntas, mas dado à criança em proporções adequadas, como carne saudável para sua mente, na total confiança de que a mente de uma criança é capaz de lidar com a comida que lhe é adequada.

A criança de oito ou nove anos é capaz de lidar com o material de conhecimento mais sério; mas nosso interesse no momento é no que crianças com menos de nove anos podem narrar.

O Método da Lição.

Em todos os casos, a leitura deve ser consecutiva de um livro bem escolhido. Antes que a leitura do dia comece, a professora deve falar um pouco (e fazer as crianças falarem) sobre a última lição, com algumas poucas palavras sobre o que está para ser lido, a fim de que as crianças possam ser animadas pela expectativa; mas deve tomar cuidado para não explicar e, principalmente, não antecipar a narrativa. Então, ela pode ler duas ou três páginas, o suficiente finalizar o capítulo; depois disso, deve convidar as crianças a narrar – em turnos, se houver várias delas. Elas não apenas narram com espírito e precisão, como também são bem sucedidas em captar o estilo de seu autor. Não é sábio provocá-las com correções; elas podem começar com uma cadeia interminável de “e’s”, mas rapidamente deixarão isso de lado, e suas narrações se tornarão suficientemente boas em estilo e composição para serem colocadas em um “livro impresso”!

Esse tipo de lição de narração não deve ocupar mais de um quarto de hora.

O livro deve ser sempre profundamente interessante, e quando a narração terminar, deve haver uma pequena conversa sobre quais pontos morais foram destacados, elaboração de desenhos que ilustrem a lição ou de diagramas no quadro negro. Tão logo as crianças possam ler com facilidade e fluência, elas devem ler suas próprias lições, em voz alta ou silenciosamente, com vistas à narração; mas nos livros em que é necessário fazer omissões, como nas narrativas do Velho Testamento e em Vidas de Plutarco, por exemplo, é melhor que o professor sempre leia a lição que deve ser narrada.

Traduzido por Arielle P.F. de Eça

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