Charlotte Mason

Charlotte Mason e PNEU – Grandes Desafios e Grandes Recompensas

Era junho de 1837 quando o então rei da Inglaterra, Guilherme IV, veio a falecer, deixando o trono vazio a ser ocupado por sua sucessora, Alexandrina Vitória, e inaugurando um longo período de paz e progresso para a nação. Mas não só a Inglaterra passaria por um período de expansão: seguiu-se por toda a Europa uma importante disseminação de conteúdo intelectual e científico que se estendeu por todo o século, consolidando nomes que exercem forte influência, para o bem ou para o mal, até hoje em todo o mundo.

E nesse contexto, veio ao mundo, em 1842, uma menina, de origens humildes, que tinha como pai um anglicano, comerciante, refinado, simples e apaixonado por livros. Filha única, recebeu de seus próprios pais a maior parte de sua educação até os dezesseis anos, quando sua mãe veio a falecer sendo acompanhada por seu pai no ano seguinte. Totalmente órfã, Charlotte passou a se dedicar aos seus estudos na área da educação, sempre atrelando-a à sua compreensão teológica.

Leitora ávida, conhecida por não meramente ler, mas meditar e estabelecer uma verdadeira relação com seus livros, rapidamente começou a alcançar posições de destaque em seus estudos, passando a lecionar na Escola Davison, onde pôde aprofundar seus pensamentos e elaborar parte considerável de seus princípios educacionais. “Notavelmente, Charlotte Mason desenvolveu seus insights educacionais durante a juventude, e ainda mais surpreendente é o fato de que após décadas trabalhando com crianças e usando com elas suas ideias, ela não hesitou em sua filosofia. Sua amiga Henrietta Franklin escreveu: “Bem cedo, ela já havia tomado como o texto de sua missão estas palavras de Benjamin Whichcote: “Tão logo a verdade… chegue aos olhos da alma, a alma já sabe que ela é sua primeira e velha conhecida”. (Citação extraída do texto de Catherine Levison)

“Seu primeiro trabalho educacional, Home Education (1886), foi o resultado de uma série de palestras que deu para as mães sobre a educação de crianças pequenas. No final do século XIX, muitas crianças pequenas ainda eram educadas no ambiente doméstico, por seus pais ou governantas. À medida que suas ideias ganharam popularidade, elas resultaram no estabelecimento de uma organização intitulada União Nacional de Pais Educadores (PNEU), destinada a compartilhar a filosofia educacional de Mason. A PNEU começou a publicar um periódico mensal, The Parents Review (A Revista dos Pais), em 1890. Mason publicou Parents and Children (1896) logo em seguida, pretendendo abordar o papel dos pais na educação da criança. Mason também estabeleceu uma escola de formação de professores em Ambleside, Inglaterra, que ficou conhecida como a House of Education (Casa da Educação), mais tarde chamada de Charlotte Mason College.” (Extraído de CM Poetry)

Seus escritos são fortemente carregados de cosmovisão cristã e se desenvolvem como um método de discipulado pessoal muito bem elaborado. Ela cria veementemente que “o conhecimento de Deus é o principal conhecimento e o principal fim da educação”. Isso é notável em toda a sua obra, inclusive no fato de o nome da organização liderada por Charlotte ter sido “expandido para incluir o National, a fim de criar o acrônimo PNEU, que é derivado da palavra grega que significa espírito. Durante esse período, Mason continuou a desenvolver uma ênfase no papel do Espírito Santo na educação, o que também se refletiu em colocar a prática da meditação como uma das principais características formativas de sua filosofia e método.” (Extraído de CM Poetry)

“Com a virada do século 20 e a ascensão da educação pública, o foco dos trabalhos de Mason começou a se concentrar nas escolas, em vez do contexto doméstico. Assim a PNEU iniciou o desenvolvimento de um currículo que poderia ser utilizado tanto em salas de aula quanto em casa. Em 1904, ela publicou um breve resumo de sua filosofia, que ficou conhecido como os 20 Princípios, e também o terceiro de sua série de livros, School Education, seguido por outros dois volumes (4 e 5) sobre o desenvolvimento do caráter: Ourselves (1905), que abordava o estudante de forma direta, enquanto Fomation of Character (1906) se dirigia aos pais e professores. Durante esse período, a PNEU continuou a crescer e direcionou seus esforços para promover um método de ensino de âmbito nacional baseado na filosofia de Mason. Seu objetivo era “uma educação liberal para todos”, independentemente da classe ou posição social. O último trabalho educacional de Mason, An Essay Towards a Philosophy of Education, que funciona como um compilado de suas obras, foi publicado postumamente em 1925”. (Extraído de CM Poetry)

Após sua morte em 1923, contudo, segundo Benjamin Bernier, na medida em que o “movimento de Mason começou a atingir os professores e as escolas, os fundamentos religiosos do método de Mason foram sendo suavizados para fornecer um apelo mais universal. ‘Como o estado moderno continuou a se afastar dos pressupostos religiosos tácitos da era vitoriana, a filosofia de Mason perdeu mais e mais do seu significado religioso, propósito, impulso e apelo’”.(Extraído de CM Poetry). E isso aconteceu principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, com todas as suas implicações.

Este parágrafo de seu terceiro volume resume bem o que Charlotte desejava formar em seus alunos e aquilo que também fazia parte de sua própria formação como pessoa:

“Durante anos, trabalhamos de maneira definida e consistente com uma psicologia que me parece bastante adequada, necessária e em contato com o pensamento de nossa época. As crianças educadas nesta teoria da educação, onde quer que as encontremos, têm certas qualidades em comum. Elas são curiosamente vitalizadas; não são entediadas, não completamente animadas nas horas de distração e enfadadas e inertes na sala de aula – mesmo quando estão em um quarto de estudos sendo ensinadas por uma governanta, lugar propício ao enfado. Há unidade em suas vidas; não são duas pessoas, uma com seus companheiros e outra com seus professores e mestres. Ao contrário, são sinceras, revigoradas, demonstrando grande interesse em tudo o que se lhes dispõe. Portanto, há também continuidade em sua educação. As crianças pequenas estão sempre ansiosas para aprender; mas o desejo de conhecimento raramente sobrevive a dois ou três anos de vida escolar. Entretanto, essas crianças são colocadas em trilhos que vão desde as primeiras lições de bebê, passando pela infância, chegando à vida adulta e à parentalidade; não há estágio de transição, mas progresso simples, natural e vivo. As reivindicações que me aventuro a fazer por essas crianças repousam não apenas na evidência de alguns poucos, mas nos princípios sobre os quais trabalhamos.” (pg. 63)

 

Escrito por Arielle Pedrosa

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