Charlotte Mason e a Arte

“Há sempre aqueles a quem Deus sussurra ao ouvido, através de quem Ele envia uma mensagem direta. Entre esses mensageiros estão os grandes pintores que interpretam para nós alguns dos significados da vida. Compreender suas mensagens corretamente é o que se espera de nós. Mas isso, como outros bons presentes, não vem de maneira inata. E sim através do estudo humilde e paciente. Não é em um dia ou em um ano que Fra Angelico nos falará da beleza da santidade, que Giotto confiará sua interpretação do sentido da vida, que Millet nos mostrará a simplicidade e a dignidade que pertencem ao trabalho no campo, que Rembrandt nos mostrará o semblante comum.” (Charlotte Mason, volume 4, p.102)

Nas escolas criadas por Charlotte Mason, as crianças tinham contato com grandes artistas desde o início de sua vida escolar, aos seis anos. Para ela devemos fazer amizade com as obras de Arte e seus autores, por isso seus alunos passavam um trimestre inteiro em contato com as obras de um pintor e de um compositor. Conhecer as grandes obras e as mentes por trás delas oferece para as nossas crianças um repertório do que realmente é Belo e não contaminado visualmente e sonoramente. Conforme a criança vai tendo contato com a Arte, sua percepção visual e auditiva aumenta gradativamente e ela aprende a observar e a ouvir enquanto seu senso de beleza se desenvolve.

É importante deixar o artista falar, não há necessidade de grandes apresentações sobre sua biografia. Diga apenas o fundamental para aguçar a curiosidade das pequenas mentes. Dependendo da idade, a criança pode gostar de saber que Velasquez pintou reis, rainhas, príncipes e princesas, que Van Gogh costumava fazer muitos estudos até chegar à sua obra final, que Mozart começou a compor com quatro anos e que Beethoven continuou compondo mesmo perdendo sua audição. A intenção é que a criança aprecie a Arte e não que decore biografismos bobos. Quando deixamos os pequenos livres para observar e ouvir, eles percebem todos os detalhes do que estão vendo e ouvindo e assim são capazes de fazer suas próprias conexões.

E hoje vamos indicar o compositor Georg Friedrich Händel, um dos preferidos de Charlotte Mason. Nascido na Alemanha, morou durante algum tempo na Itália e acabou fixando residência na Inglaterra. É um dos maiores expoentes musicais do período barroco. Destacou-se principalmente no gênero vocal, sobretudo no oratório que usa técnicas da ópera para narrar histórias religiosas sem encená-las. Mas também compôs muitas obras e peças instrumentais.

A peça que se segue, a Música para os Reais Fogos de Artifício, é uma das mais populares do autor e possui uma origem curiosa: foi composta para acompanhar um espetáculo de fogos de artifício na corte inglesa!

Na semana que vem indicaremos um dos pintores preferidos de Charlotte Mason. Até lá!

 

 

Um comentário

  1. Como é difícil ensinar arte se nunca a apreciamos! Como é difícil ensinar o que não sabemos! Realmente a maternidade é tudo que há de mais desafiador! Quero que meus filhos tenham real apreciação pela arte, pela música, pois sei o quanto isso abre os olhos para o mundo que Deus criou! E o quanto é belo!! Mas para isso, quero aprender a gostar, afinal, não quero ser piegas em fazê-los estudarem algo que eu mesma nem quero saber! E esses posts sobre como introduzir a arte na vida das crianças de modo natural, sem encher a cabeça delas de biografias e histórias sem sentido, me ajudam tanto! Servem para mim! Obrigada por isso, Marina e equipe do CMB!!

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s