[Parents Review] A Personalidade do Professor

Por Essex Cholmondeley

Volume 30, no. 10, November 1919, pgs. 738-741

É na medida em que um homem ou uma mulher se mostra uma pessoa que ele ou ela é reconhecido como um membro do Corpo no qual a humanidade está unida. Aquele cuja presença não é sentida, cujas palavras são impotentes para chamar a atenção, cujas ações não despertam atividade, cujos pensamentos não acendem nenhuma chama, é achado em falta da qualidade única que, acima de tudo, é valiosa para seus semelhantes.

Uma pessoa tem aquelas qualidades que são comuns a todos; estas, acreditamos, são ordenadas de maneira diferente em todos, de acordo com a vontade de Deus. Há uma lei dentro do coração de cada homem, obedecida fielmente à qual o constitui uma “pessoa”, alguém que está em relacionamento verdadeiro com Deus, com o homem e com o mundo ao seu redor, cujos pés trilham os caminhos da liberdade. Os pais desejam que seus filhos sejam pessoas. Eles começam a trabalhar, buscando uma educação que os torne pessoas, não percebendo que estão tentando fazer o que o próprio Deus já fez. As crianças são pessoas sem necessidade de esforço humano e, com demasiada frequência, as pessoas que as rodeiam são impedidas de conhecer as crianças como elas são, devido à negligência da lei pessoal dentro de seus próprios corações.

As crianças são geralmente livres da maquinaria da civilização, da responsabilidade diária e dos negócios que demandam grande parte da energia e atenção de um homem ou mulher. Seus poderes não foram embotados pelo contato com aqueles materiais básicos que a vida cotidiana coloca diante deles. Eles amam, aprendem, procuram, imaginam, desejam, com uma intensidade de experiência. Eles vêem a relação entre ideia e ideia que as pessoas mais velhas estão preocupadas demais para perceber. Eles raciocinam com precisão, desfrutam de todo o coração e sofrem com uma intensidade da qual até os pais às vezes ignoram. Um homem que nunca foi amarrado não tem consciência de sua liberdade e uma criança não tem consciência de sua própria personalidade. Nós, acorrentados, podemos ao menos assegurar que ela nunca sinta as amarras, mas como faremos isso se não conhecermos o próprio caminho de liberdade da criança?

Grandes coisas são destinadas a cada ser humano e diante dele é espalhada uma mesa de ricas oportunidades, belezas brilhantes, idéias vitais. Alimentando-se daquilo que a natureza e a circunstância proporcionam, ele encontra a intenção dentro dele tornada real em sua própria pessoa. Sem pensar na sua própria personalidade, um homem pode se apossar desse grande benefício para a humanidade e pode pagar sua dívida, dando sua contribuição para a soma total da raça humana. Se os educadores puderem seguir o exemplo da natureza, colocando diante das crianças um rico campo de oportunidades e idéias, os poderes que são fortes dentro delas selecionarão alimentos e exercícios para suas necessidades pessoais. Preconceito e equívoco sobre o trabalho de um professor muitas vezes impedem essa liberalidade.

A influência do professor é muitas vezes consciente, um fato que implica que o mesmo possui uma ideia pré-concebida da pessoa sob sua responsabilidade. Essa influência é apreciada por muitos, é uma força que é admirada no trabalho com a classe, acrescenta poder ao professor eficiente, que explica, questiona, apresenta, resume ou conecta ideias diante de sua classe passiva. Pela amplitude de seu conhecimento, seu uso inteligente de livros, seus modos confiantes, o professor persuade sua classe a um estado de atenção, mediando entre a inteligência relutante e o conhecimento que ele assumiu para apresentar a ela. O professor, por sua assim chamada personalidade, está estimulando um número de seres humanos imperfeitos e subdesenvolvidos a absorver uma forma de conhecimento que deve contribuir para formar sua personalidade. Mas essa saída consciente de força não é uma expressão verdadeira da personalidade. É uma atividade que inevitavelmente se destrói. Aqueles que continuam a usá-lo deixam de viver simplesmente, eles atuam.

É essencial que aqueles que educam os filhos tenham a plenitude da vida. Já foi dito que os métodos da P.N.E.U põem em perigo, se não destruírem, a personalidade do professor. Eu acho que os próprios professores reivindicam inconscientemente os métodos a esse respeito, mas o fato é que os críticos declararam uma verdade. Aquilo que eles estavam acostumados a considerar como uma expressão de personalidade foi deixado para trás por aqueles professores que foram treinados pela Srta. Mason, seja em Ambleside ou através de seus livros. Assim como pode ser agradável para um ginasta interromper sua apresentação para poder passear com seus espectadores, o mesmo acontece com os professores da P.N.E.U. A professora encontra a bem-aventurança em desistir de todas as atividades nas quais seus alunos não podem compartilhar a fim de alegremente andar com eles. Ela perdeu sua personalidade, sim! Mas as crianças a encontram e guardam para ela e a mantêm de uma maneira que ela nunca poderia fazer por si mesma. Ela nunca mais precisa pensar nisso, pois em troca encontrou um tesouro de ótimo preço. Sendo removido o que cegou seus olhos, ela se deleita em encontrar e manter as pessoas das crianças. Na sala de aula não há mais um relacionamento de criança com adulto, mas uma doce comunhão de pessoa com pessoa.

Nessa relação feliz, o professor é livre para simpatizar, compartilhar experiências, descobrir, trabalhar e se alegrar, não pelas crianças, mas com as crianças a ele confiadas. Poderia haver algum campo mais esplêndido para a personalidade ser encontrada, algum escopo mais amplo para compreensão e iniciativa? Sendo ela mesma livre, ela pode agora conduzir as crianças para as alegres experiências de ordenar suas próprias vidas, de encontrar para si mesmas idéias vivas, de formar hábitos, de escolher o que é certo. Ela saberá os raros momentos em que é sábio guiar ou restringir.

As pessoas das crianças são uma alegria que nunca falha para aqueles que podem percebê-las. Toda narração se torna um interesse cativante, toda indecisão, uma ansiedade, toda escolha, uma esperança, toda lealdade, uma honra e toda obediência, uma glória. Para quem observa e ama, gradualmente se torna impossível atuar no papel de mediador. A professora descobre que sua própria mente seria uma passagem simples demais para ser o único local de reunião da imensidão da criança com as belezas do conhecimento. Ela deixa de adaptar as condições às necessidades da criança, de escolher para elas, de interpretar a natureza ou de demonstrar unidade ou continuidade de idéias naquilo que lê – cessa, de fato, cometer esses atos de desrespeito comuns entre pessoa e pessoa.

Os jesuítas que foram os professores mais bem sucedidos do século XVI não desrespeitaram a personalidade das crianças como fazemos hoje, mas deliberadamente a perverteram pelo bem de sua ordem. Eles dificilmente poderiam evitar fazê-lo, tendo as suas próprias adulteradas. A esse respeito, eles eram como o cego deliberadamente cegando aqueles que lidera. Eles cuidavam de seus encargos principalmente como membros da ordem, contentavam-se em fazê-los bons e felizes criados, não se importando em deixá-los crescer na liberdade do direito interior pessoal. Nós, com medo do cativeiro e da incerteza da liberdade, permitimos que nossos filhos sejam obrigados pela ilegalidade e livres somente nas coisas superficiais da vida. E isso se deve em parte à presença equivocada de personalidade, acima de tudo da personalidade do professor.

Sabemos que as crianças acham difícil levar uma vida plena sob a direção de homens ou mulheres que não são entidades e nós escolhemos essas pessoas para serem suas companheiras que nos impressionam com uma certa força. Uma educação mais verdadeira se tornaria possível se pais e professores tivessem em mente o dever de serem eles mesmos “como crianças pequenas”, “pessoas” que podem reconhecer e ajudar outras “pessoas”. Uma maior simplicidade de pensamento é necessária para levar a uma vida menos autoconsciente. É bom lembrar que a personalidade está ligada àquela parte da vida que, se perdermos, salvamos. O professor da P.N.E.U, ao perder a vida por causa das crianças, tem a garantia de que ela a perdeu para Cristo e que a mantém para a vida eterna. Sua personalidade cresce sem perturbações:

“Ó maravilhoso! Pois mesmo quando ele abateu
A planta humilde, tal surgiu novamente
De repente, aqui onde ele arrancou.”

Traduzido por Paula Lima

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