[Parent’s Review] A Cura de um Hábito Mental

Autor desconhecido


Volume 2, 1891/92, pgs. 193-209

Eu li ” Dorothy Elmore’s Achievement ” na edição de janeiro da Revista dos Pais com grande interesse, e como posso fornecer algum testemunho da verdade do princípio que a história ensina, escrevi o seguinte relato de uma experiência pessoal.

Casei-me jovem com um homem com o dobro da minha idade, com quem passei dezoito anos muito felizes. Na verdade, raramente vi um casamento como o nosso e, olhando para trás, frequentemente atribuo boa parte dessa felicidade aos fatos seguintes.

Eu não tinha ainda muitas semanas de casada quando descobri que meu marido tinha uma disposição mal-humorada. Foi uma surpresa para mim, porque eu nunca tinha visto alguém realmente mal-humorado antes. Eu nunca tinha ido à escola nem me associado a outras crianças. Eu era filha única sem parentes, e a tendência de nosso pequeno círculo familiar era a irritabilidade de um tipo sincero que logo acabava, certamente com nenhum mau humor.

Esta nova experiência não foi agradável e admito que me senti alarmada. Eu amava muito meu marido; ele era um homem altamente intelectual, cheio de bom senso, possuidor de um coração bondoso e devotado a mim, mas eu imediatamente vi que “a pequena mancha” deu fruto em seus anos e “arruinaria tudo lentamente” e eu disse “Isso não pode ser assim!”

Reconheci que tal condição mental ou moral para um homem como meu marido era uma doença, e me perguntei se era curável na idade dele, quarenta anos; suportável eu não a achei – para mim mesma!

Por muito tempo, ponderei sobre o caso de problemas mentais que haviam chegado ao meu conhecimento, pois, embora isso tenha acontecido antes que o treinamento científico fosse considerado uma parte necessária da educação de uma menina, meu próprio senso comum me ensinou a observar que existem muitas aberrações no cérebro de pessoas perfeitamente sãs. Determinei-me observar e estudar meu paciente, e elaborar um plano que pudesse curá-lo, mesmo na sua idade de ataques crônicos de aborrecimentos, aos quais logo soube que ele havia cedido desde criança.

Acho que o primeiro raio de luz útil surgiu em minha mente quando, um dia, lembrando de um ataque particularmente tentador que o acometia, exclamei interiormente: “Oh! Se eu fosse sua mãe, ele nunca teria se tornado assim!” Isso foi uma revelação. O seguinte pensamento foi: “Por que eu não deveria me tornar uma verdadeira mãe para ele e ajudá-lo contra si mesmo? Eu não acredito que seja tarde demais para consertar. Ele deve continuar dessa maneira tola – ele que é tão bom, inteligente e querido – até o fim dos seus dias? E se tivermos filhos, eles também ficarão mal-humorados? Não, nunca, se eu puder ajudar! Além do mais, porque seria bom para ele se casar comigo se não for para eu ajudá-lo em troca de tudo o que ele está me ensinando? Sim, ele deve ser curado, e eu vou fazer isso”.

Depois de cada “ataque”, nós costumávamos conversar longamente sobre o assunto, pois eu via como ele estava envergonhado de não conseguir se controlar. Nós dois tentamos muitos planos de correção com sucesso. Não brigamos, pois no dia do nosso casamento havíamos entrado em um pacto solene para nunca ficarmos zangados ao mesmo tempo. Que quando alguém se sentisse “desorientado” de alguma forma, o outro que supostamente estaria mais capaz de segurar as rédeas do autocontrole iria apertar o freio em si mesmo até que o mal-humorado tivesse voltado, e isso funcionava bem, mas não impedia os hábitos mal-humorados do meu querido marido. Eles simplesmente se tornaram arraigados; sua vontade, geralmente forte, perdera seu poder de concentrar-se, por assim dizer, naquelas ocasiões particulares, e precisava da ajuda de outra vontade para permitir que sua condição enfraquecida se recuperasse.

Finalmente pensei no seguinte plano, que segue o mesmo princípio defendido pelo Dr. Evans na história de Dorothy, embora difira em detalhes. Elaborei um pequeno contrato com termos legais (ainda o guardo em meio a outras lembranças preciosas daquela parte abençoada de minha vida) que determinava que sempre que meu marido fosse tomado por um dos velhos humores ou ataques, eu deveria permitir a ele cinco minutos para recolher seus pensamentos e concentrar sua força de vontade. No final desse período, se estivéssemos sozinhos, eu o beijaria, se não estivéssemos, eu olharia para ele. Tudo que eu exigi como uma promessa estrita dele era que ele aceitaria o beijo, e devolveria o olhar. Ele assinou o acordo. Fiz isso também, pois tinha que prometer que não permitiria que qualquer aborrecimento que eu sentisse pudesse impedir o beijo ou o olhar; e pouco tempo depois, a primeira ocasião ocorreu quando a condição acordada teve de ser cumprida. Meu coração bateu rápido com a experiência. A novidade fez com que ela fosse bem sucedida da primeira vez, mas eu sabia que o resultado nem sempre seria tão satisfatório. Ainda assim me convenci que pouco a pouco o mau hábito deveria ser abandonado e, lentamente, mas definitivamente, ele desapareceu. Eu não digo que não foi uma luta difícil, foi. Levou vários anos para conseguirmos, mas quando uma vitória é fácil? Muitas e muitas vezes eu dizia em voz baixa ao olhar para o meu relógio: “O tempo acabou, querido”, e então via uma nova luz aparecer nos olhos e, tendo-lhe confiado o desejo que movia minhas ações, muitas vezes ouvi seus próprios lábios ecoarem meu pensamento: “Se você tivesse sido minha mãe!” Isso não valeu a paciência e a esperança?

Ele morreu com cinquenta e nove anos. Nosso filho mais velho tinha dezesseis anos, nosso filho caçula tinha dez. Eles estão crescidos agora, e há pouco tempo contei a eles essa história, para seu espanto, pois nunca souberam que seu pai havia sido vítima de tal hábito. Como nossos filhos desfrutavam de sua intimidade, sua ignorância do fato me demonstra que nós vencemos aquela forma angustiante de mau humor.

Quaisquer que fossem os atenuantes que ele possuía no final de sua vida, eles eram tão leves que não eram perceptíveis, exceto para a esposa que amava os fracos lembretes das lutas e vitórias passadas.

Aquela disposição apareceu em alguma das crianças? Um dos meus filhos tem ocasionalmente mostrado uma tendência ao silêncio quando não está satisfeito, e sem dúvida a melancolia teria evoluído para a falha hereditária se ele não tivesse sido ajudado por uma determinação vigilante por parte daqueles que sabiam que ele tinha que ser protegido da armadilha até que o hábito de um “padrão” mental diferente fosse estabelecido.

Traduzido e revisado por Paula Lima e Gabriely Cruvinel

A Natureza Boa e Má da Criança

por Charlotte Mason

Volume 06

Afetos mal direcionados

Estamos cientes de que há mais do que  mente e corpo em nossas relações com as crianças. Nós apelamos para seus ‘sentimentos’; onde ‘mente’ ou ‘sentimentos’ são nomes que escolhemos dar a manifestações daquela entidade espiritual que é cada um de nós. Provavelmente não nos damos ao trabalho de analisar e nomear os sentimentos e descobrir que todos eles se enquadram nos nomes do AMOR e da JUSTIÇA, e que é a glória do ser humano ser dotado de uma grande quantidade desses dois, suficiente para todas as ocasiões da vida. E mais, as ocasiões vêm e o ser humano está pronto para encontrá-los com facilidade e triunfo.

Mas essa rica dotação da natureza moral é também uma questão com a qual o educador deve se preocupar. Ai! Ele se preocupa. Ele aponta a moral com mil chavões tediosos, dirige, instrui, ilustra e aborrece excessivamente as mentes ágeis e sutis de seus alunos. Este, dos sentimentos e suas manifestações, é certamente o campo para elogios e censuras pelos pais e professores; mas este elogio ou censura pode ou ser descartado pelas crianças, ou tomado como único motivo de conduta, elas seguem desacostumadas ​​a fazer uma coisa “por ser o certo”, mas apenas para ganhar a aprovação de alguém.

Essa educação dos sentimentos, a educação moral, é muito delicada e pessoal para um professor confiar em seus próprios recursos. As crianças não devem ser alimentadas moralmente como jovens pombos com comida pré-digerida. Eles devem escolher e comer por si mesmas e elas o fazem ouvindo e percebendo a conduta de outras pessoas. Mas eles querem uma grande quantidade desse tipo de alimento cujo assunto é a conduta, e é por isso que a poesia, a história, o romance, a geografia, as viagens, as biografias, a ciência e os cálculos devem ser todos postos em serviço. Ninguém pode dizer qual pedaço particular uma criança escolherá para seu sustento. Um menino de oito anos pode chegar atrasado porque “Eu estava meditando sobre Platão e não podia fechar os meus botões”, e outro pode encontrar seu alimento em “Peter Pan”! Mas todas as crianças devem ler muito e saber o que leram para nutrir sua complexa natureza.

Quanto às lições morais, elas são piores do que inúteis; O que as crianças querem é uma boa e diversa alimentação moral, da qual tiram as “lições” de que necessitam. É uma coisa maravilhosa que toda criança, mesmo a mais rude, seja dotada de amor e seja capaz de todas as suas manifestações como bondade, benevolência, generosidade, gratidão, compaixão, simpatia, lealdade, humildade, alegria; nós, pessoas mais velhas, ficamos espantados com a exibição luxuosa de qualquer uma dessas manifestações apresentadas pela criança mais ignorante. Mas essas aptidões são tão cunhadas do reino com o qual uma criança é provida que ela pode ser capaz de ter uma vida virtuosa sem lições morais sistemáticas; e, ai!, estamos cientes de certas tendências vulgares comuns em nós mesmos que nos fazem andar com delicadeza e confiança, não ao nosso próprio ensino, mas ao melhor que temos na arte e literatura e acima de tudo para aquele depósito de exemplo e preceito, a Bíblia, para nos capacitar a tocar esses delicados espíritos em assuntos elevados.

São Francisco, Collingwood [William Gershom? ou Lorde Cuthbert?], o padre Damien, um dos veteranos de guerra entre nós, farão mais pelas crianças do que anos de conversa.

Então há aquela outra provisão maravilhosa para uma vida correta presente mesmo em uma alma humana negligenciada ou selvagem. Todos tem justiça em seu coração; um grito de “fair play” atinge a plebe mais sem lei, e todos nós sabemos como as crianças nos atormentam com  seu “não é justo”. É muito importante saber que, em matéria de justiça e de amor, existe em todos uma provisão adequada para a condução da vida: a inquietação geral, que tem sua origem em pensamentos errados e julgamentos errados muito mais do que em condições deficientes, é o resultado equivocado desse senso de justiça com o qual, graças a Deus, todos somos dotados.

Aqui, à primeira vista, temos uma função da educação. A justiça é outra provisão espiritual que falhamos em empregar devidamente em nossas escolas; e tão maravilhoso é este princípio que não podemos matar, paralisar, ou até mesmo entorpecê-lo, mas, sufocado em seu curso natural, ele espalha confusão e devastação onde deveria ter feito o solo fértil para os frutos de uma boa vida.

Poucas funções da educação são mais importantes do que de preparar os homens para distinguir entre os seus direitos e os seus deveres. Cada um de nós temos direitos e outras pessoas têm seus deveres para conosco como nós também temos em relação a elas; mas não é fácil aprender que temos precisamente os mesmos direitos que as outras pessoas e não mais; que outras pessoas nos devem apenas os deveres que devemos a elas. Esta bela arte de auto-ajustamento é possível a todos por causa do princípio inerradicável que habita em nós. Mas nossos olhos devem ser ensinados a ver e, consequentemente, a necessidade de todos os processos de educação, fúteis na proporção em que não servem a esse fim. Pensar de forma justa requer, como sabemos, conhecimento e consideração.

Os jovens devem deixar a escola sabendo que seus pensamentos não são deles; Que o que pensamos de outras pessoas é uma questão de justiça ou injustiça; que uma certa delicadeza de palavras é devida a todos os tipos de pessoas com quem eles têm que lidar; e que não falar essas palavras é ser injusto com seus vizinhos. Eles devem saber que a verdade, isto é, a justiça em palavra, é sua responsabilidade, assim como de todas as outras pessoas; há poucas ferramentas melhores para um cidadão do que uma mente capaz de discernir a verdade, e essa mente justa só pode ser preservada por aqueles que ficam atentos ao que pensam.

“No entanto, a verdade”, diz Bacon, “que apenas julga a si mesma, ensina que a investigação da verdade, que é o amor, ou a conquista dele, o conhecimento da verdade, que é a presença dela, e a crença da verdade, que é o deleite dela, é o bem soberano da natureza humana.”

Se a justiça nas palavras deve ser devidamente aprendida por todos os estudiosos, mais ainda deve ser a integridade, a justiça nas ações; integridade no trabalho, que desaprova métodos abusivos, seja aqueles do artesão que faz o mínimo possível no tempo, seja do estudante que recebe pagamento do tipo – o apoio, o custo de sua educação e a confiança imposta a ele pelos pais e professores. Portanto, ele não pode fazer as coisas de qualquer jeito, postergar, reclamar ou, de alguma outra forma, fugir de seu trabalho. Ele descobre que “meu dever para com meu vizinho” é “impedir que minhas mãos furtem e roubem”, e, quer um homem seja um trabalhador, um servo ou um cidadão próspero, ele deve saber que a justiça exige dele a integridade material que chamamos de honestidade; não a honestidade comum que detesta ser descoberta, mas aquele senso de valores refinado e delicado  que George Eliot exibe para nós em ‘Caleb Garth’.

Há outra forma em que o cidadão magnânimo do futuro deve aprender o senso de justiça. Nossas opiniões mostram nossa integridade de pensamento. Cada pessoa tem muitas opiniões, sejam por ela mesmo honestamente pensadas, sejam noções colhidas em seu jornal de estimação ou em seus companheiros. A pessoa que pensa suas opiniões modesta e cuidadosamente está cumprindo seu dever como se salvasse uma vida porque não há mais ou menos sobre esse dever.

Se um estudante deve ser guiado à justiça de pensamento do qual sólidas opiniões emanam, quanto mais ele precisa de orientação para chegar à justiça nos motivos, que nós chamamos de princípios. Pois afinal, o que são os princípios senão motivos de primeira importância que nos governam, movem nossos pensamentos e ações? Parece que escolhemos esses de uma maneira casual e raramente somos capazes de prestar contas deles e, ainda assim, nossas vidas são ordenadas por nossos princípios, bons ou ruins. Aqui, novamente, temos uma razão para uma leitura ampla e sabiamente ordenada; porque há sempre clichês flutuando no ar, como: “O que é o bem?” “É tudo podridão”, e coisas do tipo, que a mente vazia toma como base de pensamento e conduta, que são de fato, princípios insignificantes para a orientação de uma vida.

Aqui temos mais uma razão pela qual não há nada no estoque de tesouros espirituais do mundo bom demais para a educação de todas as crianças. Toda conto adorável, poema iluminador, história instrutiva, toda experiência de viagem e revelação da ciência existem para as crianças. “La terre appartient à lnfant, toujours à l’enfant,” [O chão pertence à criança, sempre com a criança] foi bem dito por Maxim Gorky, e devemos nos lembrar bem do fato.

O serviço que alguns de nós (da P.N.E.U) acreditamos ter feito  pela educação foi descobrir que todas as crianças, mesmo as crianças atrasadas, estão cientes de suas necessidades e pateticamente ansiosas pela comida que necessitam; que nenhuma preparação é necessária para esse tipo de dieta; que um vocabulário limitado, um ambiente sórdido, a ausência de uma base literária para o pensamento não são obstáculos; na verdade, eles podem se transformar em incentivos ao aprendizado, assim como quanto mais faminta a criança, mais pronta ela está para o jantar. Esta afirmação não é mera opinião; já foi amplamente provada em milhares de instâncias. Crianças de escolas pobres nas favelas estão ansiosas para contar toda a história da Waverly, usando continuamente da bela linguagem e estilo do autor. Eles falam sobre a Pedra de Roseta e sobre tesouros em seu museu local; eles discutem Coriolanus e concluem que “sua mãe deve tê-lo mimado”. Eles sabem de cor cada detalhe de uma pintura de La Hooch, Rembrandt, Botticelli, e não apenas não há evolução da história ou do drama, nem doçura sutil, nem inspiração de um poeta fora do alcance deles, mas eles se recusam a saber o que não os alcança em forma literária.

O que eles recebem sob esta condição eles absorvem imediatamente e mostram que sabem por aquele teste de conhecimento que se aplica a todos nós, isto é, eles podem dizer isto com poder, clareza, vivacidade e encanto. Estas são as crianças a quem temos distribuído os ‘três R’s’ por gerações! Não é de admirar que a delinquencia juvenil aumente; o rapaz intelectualmente faminto precisa encontrar alimento para sua imaginação, espaço para seu poder intelectual; e o crime, como o cinema, oferece, temos que admitir, bravas aventuras.

Traduzido por Paula Lima e Gabriely Cruvinel.

[Parent’s Review] O Ideal da Srta. Mason

O texto a seguir é  um artigo apresentado em uma das conferências da P.N.E.U que foi posteriormente incluído em uma das edições da Parent’s Review. O artigo segue com perguntas feitas ao final da apresentação.

Por H. E. Wix

The Parents’ Review, 1923, pp. 411-420

A maioria de nós aqui hoje devem ter conhecido a Srta. Mason pessoalmente e provavelmente o resto de nós a conhecia tão bem por meio de correspondências e vários ramos do seu trabalho que também eles a consideravam como uma amiga pessoal. Talvez nunca tenha vivido alguém que, da forma mais rápida e duradoura, tenha conquistado a amizade de pessoas que nunca viu. Professores que só souberam dela por alguns meses sentiram o vazio de sua perda com intensa curiosidade; o mesmo aconteceu com pais, cujo conhecimento sobre ela estava confinado à gratidão por seu ensino nos livros Home Education (Educação no Lar, Vol.1) e Parents and Children (Pais e Filhos, Vol.2).

Abrangência e equilíbrio talvez sejam as principais marcas do ensino da Srta. Mason, de modo que há muitos pontos de vista dos quais podemos tentar estudá-lo. Certamente, poucos educadores solucionaram tanto uma teoria quanto uma filosofia da educação – em seu sentido mais amplo – além de um método concreto prático de ensino. Existem dois lados principais no ideal da Srta. Mason, frequentemente separados, mas não realmente separáveis. Primeiro, a formação da criança, a pessoa; o ensino do hábito, o treinamento da vontade, a evolução gradual do caráter. Fundada sobre isso e sobre muito mais, está a teoria e a prática da educação da Srta. Mason em seu sentido mais restrito; como ensinar as crianças em seus anos escolares.

O treinamento da pessoa é naturalmente um assunto mais silencioso do que a transmissão de conhecimento; nós podemos realizar exposições do trabalho feito pelas crianças das escolas P.U. (União de Pais), mas o que não podemos fazer é exibir o treinamento de caráter de nossos filhos. Essa parece ser uma razão para a ideia estranhamente equivocada de que a Srta. Mason se importava mais com conhecimento do que com caráter. Não é, contudo, a razão completa.

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Nossa Equipe Cresceu!

“A responsabilidade paternal é, sem dúvida, a nota educacional do dia. As pessoas sentem que podem criar seus filhos para algo além deles mesmos, que devem fazer isso e que precisam fazê-lo; e é a esse aguçado senso de dever paternal superior que a Parents’ Union  deve sua atividade bem-sucedida.” Charlotte Mason, Volume 3, pg. 27

Charlotte atribui o sucesso de todo o trabalho realizado pela PNEU (União Nacional de Pais Educadores) e, consequentemente, de seu próprio trabalho no desenvolvimento de uma filosofia e uma prática doméstica e escolar à luz da Palavra de Deus, aos próprios pais que possuíam o senso de sua responsabilidade pessoal pela educação de seus filhos.

É precisamente este senso que nos traz até aqui. Desde que o próprio Espírito Santo nos despertou à nossa responsabilidade de criar nossos filhos para algo além deles mesmos, para o próprio Deus e para o bem do próximo, temos tateado, muitas vezes no escuro, em busca do caminho a seguir, em busca de direcionamento. Mas Deus, que é perfeito em misericórdia, não nos deixa no escuro. E, por uma circunstância ou outra, tal primoroso tratado filosófico sobre educação chegou às nossas mãos e tivemos que decidir o que fazer com ele.

Mas não encontramos meramente um manual que supre nossas expectativas e nos guia, como um mapa, pelo melhor caminho. Não. Encontramos uma pessoa. Charlotte afirma que quando somos colocados diante das ideias de alguém, é como se estivéssemos diante da própria pessoa que nos fala. E é assim que nos sentimos: diante de Charlotte, aprendendo aos seus pés, e ela ensina de forma amorosa, paciente, e pessoal. E, desde então, nosso maior desejo tem sido apresentá-la, em pessoa, para outros tão ansiosos por um caminho de educação quanto nós estávamos, e talvez para alguns que ainda não despertaram para sua responsabilidade paternal, mas podem ser encorajados por ela a assumirem esse encargo.

E foi assim que este site começou. Fruto de ideias cheias de vida que invadiram nossos corações e que não se propõem a alcançar apenas as crianças, mas todas as pessoas. Que, na verdade, nos encorajam a mudar primeiro a fim de guiar nossas crianças. Pais e professores são seu alvo principal, visto que um terço da educação de uma criança se trata das circunstâncias em que ela vive, da atmosfera a que é exposta; e, os outros dois terços têm a ver com a forma com que as conduzimos diariamente: como lidamos com a sua natureza e como nutrimos sua alma e intelecto.

A princípio, o site contava apenas com duas “autoras”  que se revezavam entre traduções e elaborações de texto quando o tempo lhes permitia. Mas o tempo não permite muitas coisas e temos sempre que priorizar o mais importante: nossos próprios lares. O site, então não estava sendo devidamente alimentado. Mas, mais do que isso, sentimos cada vez mais forte a necessidade de trazer Charlotte para falar aqui. Muito se fala sobre ela e sobre seu método, e acabamos por “conhecer de ouvir falar”, mas pouco temos, até agora, em português, escrito pela própria Charlotte. Esse trabalho, no entanto, é grandioso demais para duas mães ocupadas. E há outras mães igualmente dedicadas e apaixonadas, ansiosas por fazer o mesmo: trazer Charlotte para o Brasil. Isto é, traduzir os escritos dela para que suas próprias palavras sejam conhecidas, e mostrar como as suas ideias têm mudado suas próprias vidas. Mais pessoas trabalhando significa mais material em menos tempo, significa que agora teremos o privilégio de contar com um site exclusivo sobre a filosofia de Charlotte sendo bem abastecido de conteúdo da melhor qualidade.

Portanto, é com grande alegria que anunciamos que já não somos duas, mas sete mães comprometidas a dar o seu melhor na tarefa de apresentar os pensamentos dessa pessoa incrível de forma autêntica. Repetimos aqui as palavras de Charlotte: “Mas nós não somos um corpo hesitante; nós nos dispomos, e nos dispomos intensamente; e aqueles que planejam o melhor e se empenham pelo melhor, alcançam o melhor.” CM, V3 pg 149

Nossa nova equipe é composta por: Marina, Gabriely, Tina, Paula, Lizie, Arielle e Mariane (por ordem na imagem). Este será nosso lugar em comum. Mas, somos sete pessoas diferentes, que vêm de contextos diferentes, com nossas peculiaridades, dessa forma, manteremos nossos sites ou páginas pessoais com informações mais particulares. Sendo assim, além de se beneficiar deste site, você ainda poderá aproveitar conteúdos mais particulares de cada uma de nós.

Imagine o quanto você pode se beneficiar desta parceria! Siga-nos nas redes sociais e acompanhe-nos.

 

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Tina Schallhorn

Eu sou Tina, casada com Mike e temos dois meninos, Landon de 4.5 e Luke de 3 anos. Conheci Mason há 2 anos, e me apaixonei pela filosofia. Hoje estamos bem envolvidos no grupo local CM onde moramos. Participo de 3 grupos de estudo dos volumes e já li quase todos, além de outros livros escritos por Mason e sobre Mason, e artigos da PNEU. Moramos nos Estados Unidos. Nossa comunidade local CM aqui chama-se “A Continuing Conversation” (www.cmpeoria.com) e oferece a nós pais uma ótima oportunidade de estudo dos volumes e prática fiel à metodologia, e aos nossos filhos uma maravilhosa oportunidade de cooperativa de estudo. Sou formada em nutrição com especialidade em pediatria neonatal. Somos luteranos (LCMS) e sou responsável pela página no facebook e podcast Atmosfera, Disciplina, Vida.

http://www.AtmosferaDisciplinaVida.com

Facebook: @charlottemasonlar (Atmosfera, Disciplina, Vida)

 

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Lizie Henrique

Meu nome é Lizie. Em 2009 eu me casei com Jovailton e hoje nós temos 3 filhos: Ana Clara, Catarina e Gabriel. Moramos em Anápolis, Goiás, e somos membros da Igreja Presbiteriana do Brasil. Conhecemos Charlotte Mason em 2016 e, desde então, temos aplicado seus princípios na criação de nossas crianças. A srta. Mason acendeu em nós a alegria de contemplar a revelação de Deus na natureza e trabalhar para construir uma atmosfera rica e favorável a uma boa educação. O método proposto por Charlotte Mason correspondeu ao nosso desejo de oferecer às crianças uma educação cristã onde crescer no conhecimento de Deus é o alvo principal.

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Canal no Youtube: Lizie Henrique

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Me chamo Marina, sou casada com o Bruno desde 2014 e temos duas filhas: Catarina de três anos e Bárbara de um ano. Nossa família é católica e moramos na região serrana do Rio de Janeiro. Eu sou museóloga, mas também fiz faculdade de Letras. Conheci Charlotte Mason em 2017 e desde então venho estudando seus livros.

 

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Paula Lima

Sou Paula, casada com o Alexandre. Somos pais do Daniel de 3 anos, cristãos protestantes membros da Assembléia de Deus no Rio de Janeiro. Eu sou Engenheira Civil e trabalho fora de casa em período integral. Daniel vai a uma escola no período da manhã. Conheci Charlotte Mason no início de 2018 por meio das redes sociais e li os livros Charlotte Mason Companion da Karen Andreolla e For the children’s sake da Susan Schaeffer, que apresentam suas ideias. Percebi então o quanto eu tinha a aprender com a Charlotte mesmo e decidi dar início à nossa amizade sem mediação, por meio da leitura de seus livros. Li o volume 1 e estou concluindo o segundo dos seis volumes.

 

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Mariane Bessa

Eu sou Mariane Bessa, casada com William, temos 2 filhos, Catarina (3 anos) e Samuel (5 meses). Somos protestantes de confissão reformada. Moramos em Brasília-DF. Conheci Charlotte Mason há 3 anos por meio da Arielle, desde então me dedico a conhecer e me aprofundar no método, comecei com a leitura dos artigos traduzidos e publicados no Educação em Família e em outros sites americanos, descobri o Ambleside Online e passei a ler alguns artigos da PNEU, mas minha amiga Charlotte me ensinou ao longo desse caminho que se quero conhecer algo em sua verdade preciso ir a fonte e por isso estou lendo o volume 1 de sua série e dando umas espiadas no volume 6. Administro com a Arielle um grupo que se reúne para ler o volume 1 e fazer passeios na natureza em Brasília, a página e o blog do Charlotte Mason Brasil e participo também de um grupo de estudos no Facebook. Sou formada em Biologia, fui professora na rede publica e particular e hoje me dedico a instrução de meus filhos no ensino domiciliar. Pelo prazer de aprender coisas novas fiz cursos de costura e padaria no Senac.  

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Arielle Pedrosa

Eu sou Arielle, casada com Weliton, com quem tenho três filhos, Elisa de 4.5 e Joel de 2.5 e Esdras de 1 ano. Somos cristãos de confissão reformada (Igreja Reformada de Brasília). Conheci Mason há quatro anos por meio de um grande mestre e amigo que me pediu para traduzir de alguns sites, e comecei a me apaixonar pela filosofia. Desde então, passei a traduzir vários textos de sites famosos nos EUA, mas faltava algo. Tudo que lia em sites e também em alguns livros parecia muito superficial, então comecei a me dedicar a ler suas obras originais. Senti como se tivesse começado do zero a aprender sobre Charlotte. É muito diferente ouvir falar de uma pessoa e conhecê-la pessoalmente. Comecei a traduzir o volume 1 da série e me aprofundar em sua filosofia e hoje temos, em Brasília, um grupo local incipiente para ler seus escritos e fazer passeios na natureza juntos e também participo de mais um grupo de estudos pelo facebook. Estudei história durante cinco anos pela UnB, mas não pude concluir o curso devido a uma mudança de cidade, e desde aquela época atuo como gestora de recursos, serviços e RH da minha casa, me dedico de forma autônoma ao estudo da Educação Domiciliar e trabalho algumas horas como tradutora.

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Gabriely

Eu sou Gabriely, casada com Rafael e mãe da Catarina e do Bento. Cursei Engenharia Civil e me dedico aos meus em tempo integral. Conheci Charlotte Mason em 2016, e aos poucos fui acrescentando seus ensinamentos aos nossos dias. Sua filosofia da educação é objeto de grandes discussões em nossa casa. Somos uma família católica, fiel ao Papa e ao Magistério da Igreja.

 

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Cinco etapas para uma narração de sucesso.

Meu marido está levantando pesos há vários meses, um esforço para entrar em forma e melhorar sua saúde. Tem sido bom. O programa que ele está usando o desafia a aumentar regularmente o número de quilos que ele levanta, e ele estava feliz fazendo progresso e atingindo novos recordes de ascensão até janeiro. Então as rodas caíram do vagão.

De repente, ele não conseguiu progredir mais. Ele não conseguiu levantar nada mais pesado. O que estava errado? Depois de filmar alguns vídeos e analisá-los, ele descobriu o problema: Sua forma (execução) estava errada.

Ele não estava seguindo a mecânica básica de como levantar pesos corretamente, e isso estava impedindo seu progresso. Ele chegou a um certo nível, mas não conseguiu progredir sem a forma correta. Para aqueles de nós que usam o método de Charlotte Mason, é bom examinar nossa mecânica básica de vez em quando também.

Eu conversei com muitas mães que estão frustradas porque não parecem estar fazendo progresso algum. Elas chegaram a um certo ponto e parecem não conseguir ir além disso. Quando discutimos mais, geralmente há um componente que todas elas mencionam. É um componente básico de Charlotte Mason que pode fazer ou quebrar seu progresso: NARRAÇÃO.

Se você estiver fazendo uma lição de narração corretamente, você fará grandes avanços e seus filhos vão gostar de aprender. Se a sua forma estiver errada, no entanto, o desvio poderá impedi-lo de alcançar seus objetivos. Então, vamos examinar os fundamentos da narração – a forma correta, isso ajudará você a continuar progredindo e experimentando o sucesso.

Uma lição de narração de sucesso tem cinco etapas. Geralmente, quando uma mãe homeschool está frustrada com a narração, é porque está deixando de fora uma dessas etapas.

1. Escolha um bom livro vivo.

Alguns livros são quase impossíveis de narrar, mesmo para um narrador experiente. Se você está usando um desses, não fará muito progresso. Tenha certeza de que o livro que você está lendo, toca as emoções, inflama a imaginação, e pinta uma imagem que você possa visualizar mentalmente, como o autor descreve o que está acontecendo. Esse tipo de livro vivo – um que dá idéias, não apenas fatos secos – vai pavimentar o caminho para uma lição de narração suave.

2. Olhe para frente e para trás.

Esta etapa é provavelmente a que é esquecida com mais frequência. No entanto, é uma parte importante do processo e pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma aula de narração. Tire alguns minutos para se orientar. Veja como a leitura de hoje se conecta ao que aconteceu da última vez e prepare sua mente para o que será lido hoje.

3. Leia a passagem.

Uma vez que sua mente esteja preparada, deixe o autor compartilhar suas grandes ideias. Sua mente vai ganhar boa comida para pensar. Somente certifique-se de saber quando parar de “comer”, em vez de continuar empanturrando sua mente e não ter tempo para digerir. Em outras palavras, fique de olho na extensão da passagem que você lê.

4. Reconte a passagem.

Após a informação entrar em sua mente, você deve interagir com ela se você realmente quiser aprender. Considerando o que você leu, ponderando como isso se aplica a outras ideias que você obteve, colocando em ordem, lembrando detalhes, misturando com a sua opinião e, em seguida, transformar esses pensamentos em frases coerentes e dizer-lhes a outra pessoa, é quando o real aprendizado toma lugar. Charlotte Mason chamou isso de “Ato do Saber”.

5. Discuta ideias.

Quaisquer perguntas que sejam feitas devem ser questões abertas de discussão que incentivam mais interação com as grandes ideias do autor. Perguntas como essas e uma lição com todos os componentes descritos acima, manterá a concentração na alegria de aprender para o crescimento pessoal.

Caso se depare com “Isso vai estar em teste?” nos comentários, isso é um sinal de que alguma coisa está deslocada, sua mecânica está errada, e seu progresso será prejudicado. Vamos reservar um tempo nas próximas semanas para ver cada etapa com mais detalhe e trazer suas lições de narração de volta à forma correta.

 

Traduzido por Mariane Bessa

Reproduzido e traduzido com a permissão de Simply Charlotte Mason.

Obs: Esse texto é parte de um e-book disponibilizado gratuitamente por Simply Charlotte Mason ( https://simplycharlottemason.com/store/five-steps-to-successful-narration/ )

Leitura e Memorização – Bíblia e Catecismo

Há algumas semanas publicamos aqui no blog os preparativos curriculares para esse ano (Preparativos Curriculares Para os Anos Pré-Escolares (Parte I)). Hoje pretendo compartilhar com vocês, como faço a parte de leitura e memorização da Bíblia e do Catecismo de Heidelberg, aqui em casa, com a Catarina de apenas 2 anos.

Mas antes gostaria de trazer a vocês a seriedade com a qual Charlotte Mason trata este ponto:

“A maneira mais fatal de desprezar uma criança recai sobre a terceira lei educacional dos Evangelhos: é ignorar e minimizar sua relação natural com o Deus Todo-Poderoso. “Não impeçam as crianças de virem a Mim”, diz o Salvador, como se isso fosse algo que as crianças fazem naturalmente, algo que elas fazem quando não são impedidas por seus superiores. E, talvez, não seja algo muito bonito acreditar neste mundo redimido em que, como o bebê se volta para sua mãe, embora não tenha poder para dizer o seu nome, como as flores se voltam para o sol, assim os corações das crianças se voltam para o seu Salvador e Deus com prazer e confiança inconscientes.”

Educação no Lar, Volume 1

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“Leitura em Voz Alta” por Sonya Shafer

Desde o tempo em que meus filhos eram pequenos, ler em voz alta tem sido um prazer fixo em nossas vidas. Lembro-me de sentar no sofá com uma pilha de livros que meus pequeninos tinham selecionado alegremente, carregado, e dado a mim. Ainda posso vê-los em minha mente, subindo no sofá e se sentando ao meu lado para uma aconchegante sessão de leitura em voz alta no fim da manhã.

Nos últimos vinte anos, o cenário mudou, os livros mudaram, os ouvintes mudaram, mas o deleite se manteve, e até mesmo se aprofundou.

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