Dixit Dominus

 

Dixit Dominus é um moteto composto por Handel em 1867. Nele, o compositor alemão usou o texto latino do Salmo 110 (Vulgata 109), que começa com as palavras Dixit Dominus (“O Senhor Disse”).

O trabalho foi concluído em abril de 1707, quando Handel morava na Itália. A peça é marcada por cinco solistas vocais, cinco partes de coro, cordas e continuo. É muito provável que o trabalho tenha sido realizado pela primeira vez em 16 de julho de 1707 na Igreja de Santa Maria em Montesanto, sob o patrocínio da família Colonna.

Texto da peça em latim:

Dixit Dominus Domino meo:
Sede a dextris meis, donec ponam inimicos tuos scabellum pedum tuorum.

Virgam virtutis tuae emittet Dominus ex Sion:
dominare in medio inimicorum tuorum.

Tecum principium in die virtutis tuae splendoribus sanctorum.
Ex utero ante luciferum genui te.

Juravit Dominus et non paenitebit eum:

Tu es sacerdos in aeternum secundum ordinem Melchisedech.

Dominus a dextris tuis,
confregit in die irae suae reges.

Judicabit in nationibus,
Implebit ruinas, conquassabit capita in terra multorum.

De torrente in via bibet,
propterea exaltabit caput.

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto,
Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et  in saecula saeculorum. Amen. 

Recomendo vivamente a gravação sob a regência de Marc Monkowski. É seguramente uma das coisas mais belas que já ouvi em toda a minha vida.

Israel no Egito

 

Handel residia há muito tempo em Londres e desfrutara de grande sucesso como compositor de óperas italianas. No entanto, em 1733, uma companhia de ópera rival, a Ópera da Nobreza, havia dividido o público da ópera italiana em Londres. Não houve apoio suficiente para duas companhias de ópera italianas e Handel começou a encontrar novas audiências através da apresentação de oratórios e outros trabalhos corais em inglês.

O oratorio Saul, com um texto de Charles Jennens, foi apresentado no King’s Theatre em janeiro de 1739, e para a mesma temporada Handel compôs Israel no Egito, escrevendo a música entre 1 de outubro e 1 de novembro de 1738. Israel no Egito é um dos dois únicos oratórios de Handel com texto compilado de versículos da Bíblia, o outro sendo o Messias.

O libretista de Israel no Egito é incerto, mas a maioria dos estudiosos acredita que Charles Jennens seja o autor de ambos os textos. Israel no Egito e Messias compartilham a característica incomum entre os oratórios de Handel em que não há elencos de personagens que cantam dialogando e realizando um drama não encenado, mas contêm muitos refrões de textos bíblicos.

Ao compor Israel no Egito, naquela que já era sua prática comum, Handel reciclou músicas de suas composições anteriores e também fez uso extensivo da paródia musical, o retrabalho da música de outros compositores. Israel no Egito estreou no King’s Theatre de Londres, no Haymarket, em 4 de abril de 1739, com Élisabeth Duparc, William Savage, John Beard, Turner Robinson, Gustavus Waltz e Thomas Reinhold em seus papéis principais.

gardiner

Há duas versões que recomendo da obra:

Sob a regência de John Eliot Gardiner, com o Coro Monteverdi; e sob a regência de Andrew Parrott, com o Coro Taverner. 

Charlotte Mason e a Arte

“Há sempre aqueles a quem Deus sussurra ao ouvido, através de quem Ele envia uma mensagem direta. Entre esses mensageiros estão os grandes pintores que interpretam para nós alguns dos significados da vida. Compreender suas mensagens corretamente é o que se espera de nós. Mas isso, como outros bons presentes, não vem de maneira inata. E sim através do estudo humilde e paciente. Não é em um dia ou em um ano que Fra Angelico nos falará da beleza da santidade, que Giotto confiará sua interpretação do sentido da vida, que Millet nos mostrará a simplicidade e a dignidade que pertencem ao trabalho no campo, que Rembrandt nos mostrará o semblante comum.” (Charlotte Mason, volume 4, p.102)

Nas escolas criadas por Charlotte Mason, as crianças tinham contato com grandes artistas desde o início de sua vida escolar, aos seis anos. Para ela devemos fazer amizade com as obras de Arte e seus autores, por isso seus alunos passavam um trimestre inteiro em contato com as obras de um pintor e de um compositor. Conhecer as grandes obras e as mentes por trás delas oferece para as nossas crianças um repertório do que realmente é Belo e não contaminado visualmente e sonoramente. Conforme a criança vai tendo contato com a Arte, sua percepção visual e auditiva aumenta gradativamente e ela aprende a observar e a ouvir enquanto seu senso de beleza se desenvolve.

É importante deixar o artista falar, não há necessidade de grandes apresentações sobre sua biografia. Diga apenas o fundamental para aguçar a curiosidade das pequenas mentes. Dependendo da idade, a criança pode gostar de saber que Velasquez pintou reis, rainhas, príncipes e princesas, que Van Gogh costumava fazer muitos estudos até chegar à sua obra final, que Mozart começou a compor com quatro anos e que Beethoven continuou compondo mesmo perdendo sua audição. A intenção é que a criança aprecie a Arte e não que decore biografismos bobos. Quando deixamos os pequenos livres para observar e ouvir, eles percebem todos os detalhes do que estão vendo e ouvindo e assim são capazes de fazer suas próprias conexões.

E hoje vamos indicar o compositor Georg Friedrich Händel, um dos preferidos de Charlotte Mason. Nascido na Alemanha, morou durante algum tempo na Itália e acabou fixando residência na Inglaterra. É um dos maiores expoentes musicais do período barroco. Destacou-se principalmente no gênero vocal, sobretudo no oratório que usa técnicas da ópera para narrar histórias religiosas sem encená-las. Mas também compôs muitas obras e peças instrumentais.

A peça que se segue, a Música para os Reais Fogos de Artifício, é uma das mais populares do autor e possui uma origem curiosa: foi composta para acompanhar um espetáculo de fogos de artifício na corte inglesa!

Na semana que vem indicaremos um dos pintores preferidos de Charlotte Mason. Até lá!