Giulio Cesare in Egitto

 

Giulio Cesare in Egitto é uma ópera em três atos de Handel composta em dezembro de 1723 e que teve sua estreia em 20 de fevereiro de 1724 no King’s Theatre em Londres, quando a carreira lírica do compositor estava no auge. A primeira montagem da ópera contou com vários cantores de renome na época.

O enredo retrata alguns personagens como indivíduos fortes e complexos, o que permitiu a Handel jogar com um amplo leque emocional. César é mostrado na ópera como o típico grande herói, comparado a Hércules (ou Alcide, no libreto italiano). Cleópatra tem uma personalidade multifacetada, revelando astúcia política, capacidade de sedução, força e emotividade. Ptolomeu (ou Tolomeo, no libreto italiano), irmão de Cleópatra é o grande vilão, traiçoeiro, lascivo e usurpador. Cornélia e Sexto, seu filho com Pompeu, mostram personalidades bem mais estáticas e seus papéis giram continuamente em torno do sofrimento com a morte do esposo (no caso de Cornélia) e o desejo de vingança contra Ptolomeu (no caso de Sexto).

A ópera foi reapresentada cerca de dez vezes entre janeiro e fevereiro de 1725. Na ocasião, o autor fez diversas modificações, reduzindo alguns recitativos e diminuindo ainda mais a importância dos papéis de Cúrio e Nirenus, que se tornou um personagem silencioso. Mas Nirenus acabou ganhando mais destaque em novas mudanças na mesma temporada. Giulio Cesare voltou a ser encenada em Londres por nove vezes entre janeiro e março de 1730, incluindo novas modificações do autor como árias adicionais para Cleópatra. Outras quatro apresentações ocorreram em fevereiro de 1732.

 

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Indico a peça executada sob a regência de dois grandes maestros: René Jacobs e Marc Minkowski.

A Ronda Noturna

“A ronda noturna” é uma pintura de 1642. O quadro faz parte do acervo do Museu de Amsterdã, mas é proeminentemente exibido no Rijksmuseum como a pintura mais conhecida em sua coleção. A peça é famosa por três coisas: seu tamanho, o uso dramático de luz e sombra e a percepção do movimento em uma pintura que teria sido, tradicionalmente, um retrato estático de grupo.

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A pintura foi concluída em 1642, no auge da Idade de Ouro Holandesa. Nela temos o Capitão Frans Banning Cocq (vestido de preto, com uma faixa vermelha) e seu tenente, Willem van Ruytenburch (vestido de amarelo, com uma faixa branca). Com o uso efetivo da luz do sol e da sombra, Rembrandt chama a atenção para os três personagens mais importantes da multidão: os dois cavalheiros do centro (dos quais a pintura recebe seu título original) e a mulher no centro-esquerda frango.

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As figuras são quase do tamanho real. Rembrandt exibiu o emblema tradicional dos arcabuzeiros de maneira natural, com a mulher ao fundo carregando os símbolos principais. Ela é uma espécie de mascote; as garras de uma galinha morta no cinto representam os clauweniers (arquebusiers), a pistola atrás do frango representa o trevo e ela está segurando o cálice da milícia. O homem à sua frente está usando um capacete com uma folha de carvalho, um motivo tradicional dos arcabuzeiros. O frango morto também deve representar um adversário derrotado. A cor amarela é frequentemente associada à vitória.

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Dixit Dominus

 

Dixit Dominus é um moteto composto por Handel em 1867. Nele, o compositor alemão usou o texto latino do Salmo 110 (Vulgata 109), que começa com as palavras Dixit Dominus (“O Senhor Disse”).

O trabalho foi concluído em abril de 1707, quando Handel morava na Itália. A peça é marcada por cinco solistas vocais, cinco partes de coro, cordas e continuo. É muito provável que o trabalho tenha sido realizado pela primeira vez em 16 de julho de 1707 na Igreja de Santa Maria em Montesanto, sob o patrocínio da família Colonna.

Texto da peça em latim:

Dixit Dominus Domino meo:
Sede a dextris meis, donec ponam inimicos tuos scabellum pedum tuorum.

Virgam virtutis tuae emittet Dominus ex Sion:
dominare in medio inimicorum tuorum.

Tecum principium in die virtutis tuae splendoribus sanctorum.
Ex utero ante luciferum genui te.

Juravit Dominus et non paenitebit eum:

Tu es sacerdos in aeternum secundum ordinem Melchisedech.

Dominus a dextris tuis,
confregit in die irae suae reges.

Judicabit in nationibus,
Implebit ruinas, conquassabit capita in terra multorum.

De torrente in via bibet,
propterea exaltabit caput.

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto,
Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et  in saecula saeculorum. Amen. 

Recomendo vivamente a gravação sob a regência de Marc Monkowski. É seguramente uma das coisas mais belas que já ouvi em toda a minha vida.

A lição de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp

 

“A lição de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp” é uma pintura a óleo sobre tela de 1632 de Rembrandt que faz parte do acervo do Museu Mauritshuis em Haia, na Holanda. A pintura é considerada uma das primeiras obras-primas de Rembrandt. As aulas de anatomia eram um evento social no século XVII, ocorrendo até mesmo em teatros, com estudantes, colegas e público em geral autorizados a participar mediante o pagamento de uma taxa de entrada.

Na pintura notamos que os espectadores estão apropriadamente vestidos para a ocasião. Acredita-se que as figuras mais altas (que não estão segurando o papel) e as mais à esquerda foram adicionadas à cena posteriormente. A cada cinco ou dez anos, a Associação dos Cirurgiões encomendava um retrato e Rembrandt foi contratado para essa tarefa quando tinha 26 anos e havia acabado de chegar a Amsterdã. Foi sua primeira grande encomenda na cidade. Cada um dos homens incluídos no retrato teria pago uma certa quantia de dinheiro para ser incluído no trabalho, e os números mais centrais (neste caso, o Dr. Tulp) provavelmente pagavam mais, até o dobro.

O retrato anatômico feito por Rembrandt alterou radicalmente as convenções do gênero, incluindo um cadáver inteiro no centro da imagem e criando não apenas um retrato, mas uma dramática Mise-en-scène. Falta uma pessoa: o Preparador, cuja tarefa era preparar o corpo para a lição. No século XVII, um cientista importante como o Dr. Tulp não estaria envolvido em trabalhos manuais e sangrentos como dissecação, e tais tarefas seriam deixadas para os outros. É por esse motivo que a imagem não mostra instrumentos de corte. Em vez disso, vemos no canto inferior direito um enorme livro aberto sobre anatomia, possivelmente o De humani corporis fabrica (Tecido do Corpo Humano) escrito em 1543 por Andreas Vesalius.

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Israel no Egito

 

Handel residia há muito tempo em Londres e desfrutara de grande sucesso como compositor de óperas italianas. No entanto, em 1733, uma companhia de ópera rival, a Ópera da Nobreza, havia dividido o público da ópera italiana em Londres. Não houve apoio suficiente para duas companhias de ópera italianas e Handel começou a encontrar novas audiências através da apresentação de oratórios e outros trabalhos corais em inglês.

O oratorio Saul, com um texto de Charles Jennens, foi apresentado no King’s Theatre em janeiro de 1739, e para a mesma temporada Handel compôs Israel no Egito, escrevendo a música entre 1 de outubro e 1 de novembro de 1738. Israel no Egito é um dos dois únicos oratórios de Handel com texto compilado de versículos da Bíblia, o outro sendo o Messias.

O libretista de Israel no Egito é incerto, mas a maioria dos estudiosos acredita que Charles Jennens seja o autor de ambos os textos. Israel no Egito e Messias compartilham a característica incomum entre os oratórios de Handel em que não há elencos de personagens que cantam dialogando e realizando um drama não encenado, mas contêm muitos refrões de textos bíblicos.

Ao compor Israel no Egito, naquela que já era sua prática comum, Handel reciclou músicas de suas composições anteriores e também fez uso extensivo da paródia musical, o retrabalho da música de outros compositores. Israel no Egito estreou no King’s Theatre de Londres, no Haymarket, em 4 de abril de 1739, com Élisabeth Duparc, William Savage, John Beard, Turner Robinson, Gustavus Waltz e Thomas Reinhold em seus papéis principais.

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Há duas versões que recomendo da obra:

Sob a regência de John Eliot Gardiner, com o Coro Monteverdi; e sob a regência de Andrew Parrott, com o Coro Taverner. 

Estudo do Artista

Nas escolas criadas por Charlotte Mason, os estudantes eram colocados em contato com obras de um mesmo artistas visual por um trimestre inteiro. Portanto, esse estudo do artista é indicado para crianças a partir dos seis anos de idade. Os passos são os seguintes:

– Escolha um artista;

– Escolha de 6 a 8 obras desse artista;

– Deixe cada uma dessas obras em locais de fácil visualização por uma semana;

– Dê algumas informações básicas sobre o artista, sem alongar-se;

SE necessário, dependendo do interesse do estudante, dê uma breve explicação sobre a obra de Arte da semana;

– Peça para a criança narrar o quê está vendo.

A cada estudo do artista é importante proporcionar ao estudante um tempo para observar a obra estudada sem interrupções ou discussões. É necessário que a criança ou o adolescente tenha um tempo para fazer suas próprias ponderações.

Após esse primeiro momento observando a obra de Arte você pode pedir para que o estudante a descreva. Depois de um tempo de prática narrando a obra, também há a opção de escondê-la e pedir para que a criança ou o adolescente descreva a mesma.

No caso de crianças que ainda não estejam em idade escolar, é possível deixar uma obra de Arte exposta em algum lugar de fácil visualização da casa, trocando a cada semana. Também é possível colocar a criança em contato com bons livros de Arte para que ela observe e admire boas obras. O que não é indicado é o estudo do artista tal qual é feito com estudantes em idade escolar.

Ao longo de seus escritos, Charlotte Mason nos dá pistas de seus artistas preferidos. Um deles é Rembrandt Harmenszoon van Rijn. Nascido na Holanda em 1606, destacou-se na pintura, na gravura e no desenho. Um mestre inovador, é considerado um dos maiores nomes da História da Arte. Filho de dono de moinho, tanto o pai (igreja reformada) como a mãe (católica) eram religiosos. Ele logo cedo demonstrou tendência para a pintura.

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“A volta do filho pródigo” está entre os trabalhos finais do mestre holandês, e acredita-se que tenha sido concluída nos dois anos antes de sua morte, em 1669. A pintura é repleta de detalhes. Nela percebemos uma característica forte nas obras dos pintores holandeses da época: pouca luminosidade.

Temos o abraço do pai no filho mais novo como destaque. O filho pródigo é mostrado maltrapilho, descalço, despojado de sua dignidade. O abraço do pai demonstra toda a ternura e o perdão, e é esse amor que dá o tom e toda a grandiosidade do quadro. Também vemos o filho mais velho, mas esse está em segundo plano junto aos empregados e não demonstra a mesma alegria do pai.

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Charlotte Mason e a Arte

“Há sempre aqueles a quem Deus sussurra ao ouvido, através de quem Ele envia uma mensagem direta. Entre esses mensageiros estão os grandes pintores que interpretam para nós alguns dos significados da vida. Compreender suas mensagens corretamente é o que se espera de nós. Mas isso, como outros bons presentes, não vem de maneira inata. E sim através do estudo humilde e paciente. Não é em um dia ou em um ano que Fra Angelico nos falará da beleza da santidade, que Giotto confiará sua interpretação do sentido da vida, que Millet nos mostrará a simplicidade e a dignidade que pertencem ao trabalho no campo, que Rembrandt nos mostrará o semblante comum.” (Charlotte Mason, volume 4, p.102)

Nas escolas criadas por Charlotte Mason, as crianças tinham contato com grandes artistas desde o início de sua vida escolar, aos seis anos. Para ela devemos fazer amizade com as obras de Arte e seus autores, por isso seus alunos passavam um trimestre inteiro em contato com as obras de um pintor e de um compositor. Conhecer as grandes obras e as mentes por trás delas oferece para as nossas crianças um repertório do que realmente é Belo e não contaminado visualmente e sonoramente. Conforme a criança vai tendo contato com a Arte, sua percepção visual e auditiva aumenta gradativamente e ela aprende a observar e a ouvir enquanto seu senso de beleza se desenvolve.

É importante deixar o artista falar, não há necessidade de grandes apresentações sobre sua biografia. Diga apenas o fundamental para aguçar a curiosidade das pequenas mentes. Dependendo da idade, a criança pode gostar de saber que Velasquez pintou reis, rainhas, príncipes e princesas, que Van Gogh costumava fazer muitos estudos até chegar à sua obra final, que Mozart começou a compor com quatro anos e que Beethoven continuou compondo mesmo perdendo sua audição. A intenção é que a criança aprecie a Arte e não que decore biografismos bobos. Quando deixamos os pequenos livres para observar e ouvir, eles percebem todos os detalhes do que estão vendo e ouvindo e assim são capazes de fazer suas próprias conexões.

E hoje vamos indicar o compositor Georg Friedrich Händel, um dos preferidos de Charlotte Mason. Nascido na Alemanha, morou durante algum tempo na Itália e acabou fixando residência na Inglaterra. É um dos maiores expoentes musicais do período barroco. Destacou-se principalmente no gênero vocal, sobretudo no oratório que usa técnicas da ópera para narrar histórias religiosas sem encená-las. Mas também compôs muitas obras e peças instrumentais.

A peça que se segue, a Música para os Reais Fogos de Artifício, é uma das mais populares do autor e possui uma origem curiosa: foi composta para acompanhar um espetáculo de fogos de artifício na corte inglesa!

Na semana que vem indicaremos um dos pintores preferidos de Charlotte Mason. Até lá!