“Educação é uma Disciplina”. E a punição?

disciplinaHábitos. Sabemos que o que “Educação é uma Disciplina” significa. Conhecemos o sétimo princípio de Charlotte, que afirma:

“Por ‘Educação é uma disciplina’, refiro-me à disciplina de hábitos formados definitivamente e conscientemente, quer sejam hábitos da mente ou do corpo. Os fisiologistas nos falam da adaptação da estrutura cerebral às linhas habituais de pensamento – isto é, aos nossos hábitos.”

Mas, muitas dúvidas surgem, então, sobre como corrigir um mau hábito, ou mau comportamento. O que Charlotte tem a dizer sobre isso?

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“Caligrafia e cópia” por Lizie Carvalho

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Perguntaram-me recentemente como eu trabalho caligrafia com a Ana.

Deixe-me esclarecer, de início, que no método Charlotte Mason a caligrafia não é um fim em si mesmo. Ela está incluída no trabalho de cópia, a transcrição palavra por palavra de uma frase ou trecho, e seu objetivo não é simplesmente ter uma letra bonita.

Então, porque fazer caligrafia e cópia?

Primeiro, para ter uma letra bonita! Não, não estou me contradizendo.

Charlotte Mason nos chama a apreciarmos e nos deleitarmos na beleza da natureza, principalmente, e também na beleza das artes.

“A percepção da beleza em sua própria escrita e nas linhas que copiam deve conduzi-las com deleite a esse momento de trabalho.” v.1, p.238

Fica clara, em suas obras, sua intenção de ensinar a criança a contemplar, apreciar e se deleitar naquilo que é belo. O que é belo e harmonioso nos traz alegria bem como prazer aos nossos olhos e ouvidos.

 “A primeira prática de escrita direcionada a crianças de sete ou oito anos não deve ser escrever cartas ou ditados, mas fazer um trabalho de transcrição lento e bonito” v.1 p.238

Há notável importância dada por CM no que se escreve também. As crianças devem escolher suas passagens favoritas para transcreverem.

 “Pode-se acrescentar a esse exercício um certo senso de posse e deleite, ao permitir-se que as crianças escolham seu verso favorito em um ou outro poema para transcrever. Isso é melhor do que escrever um poema favorito por inteiro, exercício que enfada os pequenos antes que esteja terminado. Mas, um livro de sua própria autoria, composto de seus próprios versos selecionados, deveria agradar-lhes.” V1p239

A segunda razão é que o trabalho de cópia é a maneira como ortografia e gramática são trabalhadas nos anos iniciais pelo método CM.

“A transcrição deveria ser uma introdução à ortografia. As crianças deveriam ser encorajadas a olhar para a palavra, ver sua imagem com os olhos fechados e, depois, escrever de memória.” V1p239

Não há livros didáticos no método CM. Não há uma lista de palavras para que as crianças dividam em sílabas, destaquem a sílaba tônica e acentuem. Regras gramaticais são aprendidas pela leitura e cópia de cada palavra. E sua correta ortografia memorizada.

E como fazê-lo?

Como já citei, a criança deverá escolher os trechos a serem transcritos. Mas há um percurso até o momento em que a criança consegue transcrever uma ou mais frases.

As lições devem ser curtas. Cinco a dez minutos. Devemos iniciar na caligrafia com uma letra apenas. Uma letra por lição, escrita perfeitamente dará a criança algo pelo qual se esforçar sem chegar ao desleixo oriundo do cansaço. Peça à criança que copie perfeitamente por algumas vezes um mesmo traço. Não uma folha inteira, mas uma meia dúzia é suficiente. Há disponível para venda livros e apostilas que trazem esses traços básicos. Depois, faça o mesmo com as outras letras.

Na medida em que a criança for crescendo, procure evita a borracha. Não nos empenhamos em fazer algo que pode ser refeito. Após a criança ter escrito cada letra, traremos duas ou três palavras de um poema ou trecho já conhecido, seguindo, depois, para frases e períodos.

“Primeiro, a criança precisa concluir algo perfeitamente em todas as lições — um traçado reto ou curvo, ou uma letra. A lição de escrita precisa ser curta; não deve durar mais do que cinco ou dez minutos. A facilidade na escrita vem pela prática; mas, isso deverá ser assegurado posteriormente. Até lá, o principal a ser evitado é o hábito do trabalho descuidado.” V.1 p.233-234

Aqui está apontado um dos princípios de uma educação CM: o hábito da execução perfeita.

“A criança não deve receber qualquer trabalho que não possa executar perfeitamente, e, portanto, deve-se exigir dela perfeição como algo natural. Por exemplo, se você a colocar para fazer cópia de traçados e permitir que ela encha uma lousa com todo tipo de inclinações e todo tipo de espaçamentos, seu senso moral será corrompido e sua visão ferida. Dê a ela seis traçados para copiar; permita que ela entregue seis traçados perfeitos, com espaçamentos regulares e com inclinações regulares, ao invés de uma lousa cheia. Se ela produzir um par defeituoso, faça com que ela aponte a falha e persevere até que tenha finalizado sua tarefa; se ela não conseguir finalizar a tarefa hoje, deixe-a continuar amanhã e, no dia seguinte, e, quando ela conseguir obter os seis traçados perfeitos, que esta seja uma ocasião de triunfo. Deve ser assim também com as pequenas tarefas de pintura, desenho ou construção em que ela se lança – que tudo o que ela fizer seja bem feito. (…) Intimamente conectado ao hábito de ‘trabalho perfeito’ está o hábito de concluir qualquer coisa que estiver fazendo. Uma criança raramente deve ser autorizada a começar um novo empreendimento até que o último esteja concluído” v.1 p160

Charlotte Mason ainda cita a necessidade de um bom local para a criança se sentar, uma mesa de apropriada altura em que ela possa se posicionar adequadamente.

Como podem ver, beleza, perfeição e riqueza de palavras estão atrelados em uma atividade. Virtudes e bons hábitos associados à formação acadêmica da criança. O método Charlotte Mason busca a formação integral da criança.

“Isto é apreciação, cuja função é pesar e considerar, devidamente e delicadamente, os méritos, as boas qualidades de uma pessoa, de um país, de uma causa, de um livro ou de uma imagem. A apreciação é uma deliciosa moradora da Casa do Coração, e está continuamente reunindo a colheita da alegria. É muito bom e agradável notar uma marca de altruísmo aqui, de delicadeza ali, de honra em outro lugar; observar e valorizar o registro da beleza da perfeição na obra de um homem qualquer, quer esta obra seja um grande poema ou a limpeza de uma sala.”  V.4 p.148

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Lizie é mãe homeschooler apaixonada pelo método de Charlotte.

Muito obrigada pela contribuição Lizie!

Leitura e Memorização – Bíblia e Catecismo

Há algumas semanas publicamos aqui no blog os preparativos curriculares para esse ano (Preparativos Curriculares Para os Anos Pré-Escolares (Parte I)). Hoje pretendo compartilhar com vocês, como faço a parte de leitura e memorização da Bíblia e do Catecismo de Heidelberg, aqui em casa, com a Catarina de apenas 2 anos.

Mas antes gostaria de trazer a vocês a seriedade com a qual Charlotte Mason trata este ponto:

“A maneira mais fatal de desprezar uma criança recai sobre a terceira lei educacional dos Evangelhos: é ignorar e minimizar sua relação natural com o Deus Todo-Poderoso. “Não impeçam as crianças de virem a Mim”, diz o Salvador, como se isso fosse algo que as crianças fazem naturalmente, algo que elas fazem quando não são impedidas por seus superiores. E, talvez, não seja algo muito bonito acreditar neste mundo redimido em que, como o bebê se volta para sua mãe, embora não tenha poder para dizer o seu nome, como as flores se voltam para o sol, assim os corações das crianças se voltam para o seu Salvador e Deus com prazer e confiança inconscientes.”

Educação no Lar, Volume 1

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“Leitura em Voz Alta” por Sonya Shafer

Desde o tempo em que meus filhos eram pequenos, ler em voz alta tem sido um prazer fixo em nossas vidas. Lembro-me de sentar no sofá com uma pilha de livros que meus pequeninos tinham selecionado alegremente, carregado, e dado a mim. Ainda posso vê-los em minha mente, subindo no sofá e se sentando ao meu lado para uma aconchegante sessão de leitura em voz alta no fim da manhã.

Nos últimos vinte anos, o cenário mudou, os livros mudaram, os ouvintes mudaram, mas o deleite se manteve, e até mesmo se aprofundou.

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“Dicas Práticas para Dias Tranquilos” por Sonya Shafer

Esta manhã, minha filha mais nova e eu fomos ao supermercado. As aulas em nossa comunidade começaram hoje, então, aquele seria um momento tranquilo para irmos às compras. Eu puxei um carrinho de compras do final da fila e o empurrei até a porta automática, e, então, percebi que estava sorrindo. Por quê? Eu estava com um carrinho estável! Você sabe, um com todas as rodas girando livremente! Nada daquela oscilação e tremor que faz você ranger os dentes e querer abandonar suas compras no meio do caminho. Que surpresa deliciosa!

Nós gostamos de estabilidade. Carrinhos de supermercado estáveis. Dias estáveis. Ensino domiciliar estável.

Nesse artigo, vamos olhar para alguns lembretes práticos. Pequenas dicas que podem trazer um sorriso de volta aos nossos lábios e nos ajudar a ter prazer na viagem novamente. Dicas simples para um ano estável.

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“Filhos mais velhos – O que fazer com os pequenos?” por Sonya Shafer

Certamente um dos maiores desafios que uma mãe homeschooler enfrenta é tentar ensinar com os pequenos aos seus pés. Você pode ter estabelecido os melhores planos do mundo, mas esses planos talvez não se tornem realidade se você desconsiderar seus filhos pré-escolares. Eles podem ser uma grande distração tanto para você quanto para as outras crianças que estão tentando se concentrar em seus estudos!

Não me interprete mal: crianças pré-escolares são uma grande bênção! Elas apenas acrescentam uma outra dimensão ao seu planejamento. Aqui estão cinco grandes ideias, compiladas a partir de sugestões de outras mães que fazem homeschooling com filhos pré-escolares envolvidos:

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“Fundamentos para os Anos Pré-escolares” por Sonya Shafer

Pode ser um pouco assustador enfrentar a educação em casa pela primeira vez, sem ter ideia do que esperar! “Esses primeiros anos lançam o fundamento”, é o que nos dizem frequentemente. Sim, é verdade. Mas as prioridades que Charlotte Mason tinha muitas vezes soam um pouco diferente (bem, provavelmente mais do que “um pouco”), porque este “fundamento” não enfatiza o que normalmente as pessoas assumem que irá enfatizar.

Em vez de pressões acadêmicas ou sociais, Charlotte Mason incentivava as mães a dar aos seus pequeninos um total de seis anos de desenvolvimento de bons hábitos, familiarização com a natureza, exploração do mundo por meio dos cinco sentidos, crescimento em suas vidas espirituais e brincadeiras ao ar livre. Com isso em mente, aqui estão as nossas sugestões para os primeiros anos.

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