“Educação é uma Disciplina”. E a punição?

disciplinaHábitos. Sabemos que o que “Educação é uma Disciplina” significa. Conhecemos o sétimo princípio de Charlotte, que afirma:

“Por ‘Educação é uma disciplina’, refiro-me à disciplina de hábitos formados definitivamente e conscientemente, quer sejam hábitos da mente ou do corpo. Os fisiologistas nos falam da adaptação da estrutura cerebral às linhas habituais de pensamento – isto é, aos nossos hábitos.”

Mas, muitas dúvidas surgem, então, sobre como corrigir um mau hábito, ou mau comportamento. O que Charlotte tem a dizer sobre isso?

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[Parent’s Review] “Cultura Materna”

Parent’s Review foi uma revista da qual Charlotte Mason foi editora.

Está escrito em algum lugar: “Uma mãe é apenas uma mulher, mas ela precisa do amor de Jacó, da paciência de Jó, da sabedoria de Moisés, da previsão de José e da firmeza de Daniel”. Mas uma mãe não só precisa ter todas essas qualidades; ela deve tê-las todas de uma só vez, frequentemente quando ainda é muito jovem, e, frequentemente, quando não teve nenhum tipo de treinamento prévio em relação tarefas admiravelmente variadas que ela tem que realizar. De uma única vez (tomando um caso extremo), uma jovem que tem toda a sua vida protegida e resguardada, não só de todos os problemas, mas de todas as experiências da vida, torna-se responsável pela felicidade familiar do marido e ( como se isso já não fosse muito) pela saúde e felicidade de um pequeno ou grande número de seres humanos em crescimento, e pelos ajudantes que contrata por dinheiro – que têm que ser dirigidos, controlados, encorajados ou reprovados, e conduzidos com segurança ao longo dos infinitos perigos do serviço doméstico. Antes de se casar, ela faz apenas uma pequena ideia das extremas dificuldades de se gerenciar a mais complicada das máquinas: uma casa – não por uma semana apenas, durante a ausência de sua mãe, mas, ano após ano, sem parar ou estagnar, pelo resto da sua vida.

Se essas duas coisas são difíceis, o caso é ainda mais complicado quando uma responsabilidade inteiramente inédita vem sobre ela: não apenas sua própria saúde, mas a saúde de outras pessoas dependem de como ela gerencia sua própria vida. E então, talvez, justo quando ela está dominando a situação, e uma criança preenche todo o seu coração, mais cômodos se tornam necessários, e mais e mais, e as perguntas dos empregados continuam, a gestão das despesas continua, o desejo de ser mais do que nunca companheira de seu marido se torna mais e mais forte, e o centro de tudo isso é uma pequena mulher – esposa, mãe, patroa, tudo em um! Então, acontece que ela fica sobrecarregada. Então, acontece que ela se desgasta. Então acontece que, em seus esforços para ser a esposa, a mãe e a patroa ideal, ela esquece que ela é ela mesma. Então acontece que, de fato, ela deixa de crescer.

Não há visão mais triste na vida do que uma mãe, que se desgastou tanto durante a infância de seus filhos, que não tem nada para oferecer durante a juventude deles. Quando a época de bebê acaba e a fase escolar se inicia, com muita frequência as crianças se dedicam a provar que sua mãe está errada. Você vê, com frequência, uma criança provando seu pai para ver se ele está errado? Eu acho que não. Pois o pai está crescendo muito mais frequentemente do que a mãe. Ele está ganhando experiência ano a ano, mas ela permanece parada. Então, quando seus filhos chegam a esse momento tão difícil entre a infância e o desenvolvimento completo, ela fica perplexa; e, embora ela possa fazer muito por seus filhos, ela não conseguirá fazer tudo o que pode, se ela, assim como eles, não estiver crescendo!

Não há necessidade de uma “cultura materna” [quer dizer, um contínuo esforço para continuar crescendo em conhecimento e habilidades]? Mas como o estado das coisas pode ser alterado? Muitas mães dizem: “Eu simplesmente não tenho tempo para mim mesma!” “Eu nunca leio um livro!” Ou então, “eu não acho correto pensar em mim mesma!” Elas não só fazem suas mentes morrerem de fome, mas o fazem deliberadamente, e com um sentimento de auto sacrifício que parece fornecer ampla justificação. Há, inclusive, infelizmente, uma grande quantidade de pessoas que pensam que esse tipo de coisa é tão agradável que a opinião pública parece justificá-la. Mas, a opinião pública deve justificar alguma coisa? Ela justifica laços apertados – ou saltos altos – ou rédeas para cavalos? A opinião pública nunca poderá justificar qualquer coisa que carregue o tom “Oh, é apenas uma mãe” em relação a qualquer pessoa jovem.

Esse tom não é o tom correto. Mas, pode ser alterado? Cada mãe deve estabelecer isso por si mesma. Ela deve colocar as coisas na balança. Ela deve ver o que é mais importante – o tempo gasto em luxuosamente regozijar-se dos encantos de seu bebê fascinante, ou o que ela pode fazer com esse tempo para se manter “crescendo”, por causa do “amanhã” desse bebê, quando ele vai desejar estar com ela muito mais do que agora.

A única maneira de fazer isso é estar tão fortemente impactada pela necessidade de seu próprio crescimento, que ela mesma a torne um objetivo real na vida. Ela raramente poderá receber ajuda externa. A colocação resoluta de senhorita Três-Anos em sua cadeira em um extremo da mesa com seus brinquedos, do senhor Cinco-Anos no outro com suas ocupações, e o fascinante senhor Bebê no tapete no chão com seu arco e sua bola – o anúncio decidido: “Agora mamãe ficará ocupada” – vai trazer um mundo de benefícios para esses pequenos! Embora você perderá algumas de suas ações encantadoras, eles ganharão o respeito do tempo da mãe, e alguma autoconfiança nesta pechincha, enquanto as costas cansadas da mãe se aliviam, mesmo que por um curto período de tempo, no sofá ou sentados sobre o chão. Assim, ela pode ouvir seus filhos, e talvez pensar um pouco – não sobre vestidos e alimentos, mas sobre temperamentos e sobre como lidar com eles; ou ela pode pegar um livro e “crescer” por meio dele. Isso ajudaria em algo, mas não o suficiente. A mãe deve ter tempo para si mesma. E não devemos dizer “não posso”. Qualquer um de nós pode dizer, até que tenhamos tentado, não por uma semana, mas por um ano inteiro, dia após dia, que “não podemos” obter uma meia hora das vinte e quatro horas do dia para “Cultura Materna?” –  meia hora diária, em que podemos ler, pensar ou “lembrar”.

É tão fácil perdermos o hábito de ler; não tanto, talvez, o poder de desfrutar dos livros, como o verdadeiro poder de ler em absoluto. É incrível como, depois de não poder usar os olhos por um tempo, o hábito de leitura dinâmica precisa ser recuperado dolorosamente. O poder da leitura dinâmica deveria ser muito desejado, e as pessoas que leem todas as palavras são tristemente deixadas para trás pelas pessoas que leem de um ponto a outro num relance. Esse é poder que nossos filhos estão adquirindo na escola, e esse é o poder que estamos perdendo quando nos recusamos a dedicar um pouco de tempo para nossa “Cultura Materna”. Vale muito a pena conseguir e manter este hábito; e para fazer isso, não é nem um pouco necessário ler livros “maçantes”.

A mulher mais sábia que já conheci – a melhor esposa, a melhor mãe, a melhor patroa, a melhor amiga – me disse uma vez, quando lhe perguntei como, com sua saúde fraca e tantas demandas de seu tempo, ela conseguia ler tanto: “Eu sempre mantenho três leituras – uma leitura difícil, um livro moderadamente fácil e um romance, e eu sempre busco aqueles que eu me sinto apta para ler”. Esse é o segredo; sempre “mantenha” algo para crescer. Se nós, mães, estivéssemos “crescendo”, haveria menos desvios entre nossos meninos, ficaríamos menos afastadas de nossas meninas.

Parece que nós, mães, muitas vezes, simplesmente somos as responsáveis pelas dificuldades que encontramos mais adiante na vida, ao fechar nossas mentes no presente. O que precisamos é o hábito de tirar nossa cabeça daquilo que alguns são tentados a chamar de “sacola de trapos doméstica” de confusões, e dar a ela uma boa ventilação daquilo que a mantém “crescendo”. Uma rápida caminhada pode ajudar. Mas, se desejamos fazer o nosso melhor pelos nossos filhos, devemos crescer; e do nosso poder de crescimento certamente depende, não apenas a nossa futura felicidade, mas a nossa futura utilidade.

Não há, portanto, necessidade de mais “Cultura Materna”?

Traduzido e Republicado com a permissão de Ambleside Online

Traduzido por Arielle Pedrosa

“Dicas Práticas para Dias Tranquilos” por Sonya Shafer

Esta manhã, minha filha mais nova e eu fomos ao supermercado. As aulas em nossa comunidade começaram hoje, então, aquele seria um momento tranquilo para irmos às compras. Eu puxei um carrinho de compras do final da fila e o empurrei até a porta automática, e, então, percebi que estava sorrindo. Por quê? Eu estava com um carrinho estável! Você sabe, um com todas as rodas girando livremente! Nada daquela oscilação e tremor que faz você ranger os dentes e querer abandonar suas compras no meio do caminho. Que surpresa deliciosa!

Nós gostamos de estabilidade. Carrinhos de supermercado estáveis. Dias estáveis. Ensino domiciliar estável.

Nesse artigo, vamos olhar para alguns lembretes práticos. Pequenas dicas que podem trazer um sorriso de volta aos nossos lábios e nos ajudar a ter prazer na viagem novamente. Dicas simples para um ano estável.

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“Inatividade Controlada” por Sonya Shafer

Nós amamos nossos filhos. E temos grandes esperanças em relação a eles. Como Charlotte Mason tão acertadamente colocou: “As pessoas sentem que podem criar seus filhos para serem algo mais do que eles mesmos, que precisam e devem fazer isso.”

Esse é o motivo por que educamos em casa. Queremos dar algo mais aos nossos filhos.

Mas, por causa desse desejo, podemos facilmente cair em uma armadilha. “Devemos fazer tanto por nossos filhos, e somos capazes de fazer tanto por eles, que começamos a pensar que tudo repousa sobre nós e que não devemos interromper sequer por um momento a nossa ação consciente sobre as jovens mentes e corações ao nosso redor. Nossos esforços se tornam exigentes e insones. Ficamos demais com nossos filhos, ‘cedo e tarde’. Tentamos dominá-los demais, mesmo quando falhamos em governar, e somos incapazes de perceber que um afastamento sábio e proposital é a melhor parte da educação”.

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