[Parent’s Review] Princípio 1- “As Crianças Nascem Pessoas”

Liberdade vs Várias Formas de Tirania

Por Charlotte Mason

Publicado pela primeira vez em The Parents Review, volume 22, junho de 1911 (pg. 419-437).

“O mistério de uma pessoa, de fato, é sempre sublime para aquele que tem um sensouh para o divino”.
Carlyle

“Nós vivemos de admiração, esperança e amor!
E quando estes estão bem e sabiamente firmados,
Na dignidade de ser nós ascendemos ”.
Wordsworth

[¶1] Muitos de nós ficamos surpresos ao ler no Times, no verão passado, as descobertas feitas por exploradores alemães no local da primeira capital da Assíria. Layard havia nos tornado há muito tempo familiarizados com os templos e palácios; mas não esperávamos descobrir que todas as casas, mesmo as menores, parecem ter contido um banheiro. Da mesma forma, ficamos surpresos ao ler sobre as grandes obras de irrigação realizadas pelo povo do México antes de Cortés introduzi-los ao nosso mundo oriental. Hoje, ficamos surpresos ao descobrir que a literatura e a arte da China antiga são coisas a serem levadas a sério. Vale a pena considerar por que esse tipo de surpresa ingênua se desperta em nós quando ouvimos falar de uma nação que não esteve sob a influência da civilização ocidental, competindo conosco em nossas próprias linhas. A razão é, talvez, que consideramos uma pessoa como um produto e possuímos uma espécie de fórmula inconsciente, algo assim: dadas tais e tais condições de civilização e educação, teremos tal e tal resultado, com variações. Quando encontramos o resultado sem as condições que pressupomos, claro, ficamos surpresos! Nós não entendemos o que Carlyle chama de “o mistério de uma pessoa”, e, portanto, não vemos que a possibilidade de altas realizações intelectuais, obras mecânicas surpreendentes, possa recair sobre as pessoas de qualquer nação. Portanto, não precisamos nos surpreender com as conquistas das nações do passado distante, ou em países remotos que não tiveram o que consideramos nossas grandes vantagens. Esta doutrina, do mistério de uma pessoa, é muito saudável e necessária para nós nos dias de hoje; e nos esforçássemos para entende-la, não tropeçaríamos como acontece em relação aos nossos esforços de reforma social, educação, relações internacionais. A linha poética banal de Pope viria até nós com nova força, e seria uma simples questão de que:

“O estudo adequado da humanidade é o ser humano”.

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