Cinco etapas para uma narração de sucesso.

Meu marido está levantando pesos há vários meses, um esforço para entrar em forma e melhorar sua saúde. Tem sido bom. O programa que ele está usando o desafia a aumentar regularmente o número de quilos que ele levanta, e ele estava feliz fazendo progresso e atingindo novos recordes de ascensão até janeiro. Então as rodas caíram do vagão.

De repente, ele não conseguiu progredir mais. Ele não conseguiu levantar nada mais pesado. O que estava errado? Depois de filmar alguns vídeos e analisá-los, ele descobriu o problema: Sua forma (execução) estava errada.

Ele não estava seguindo a mecânica básica de como levantar pesos corretamente, e isso estava impedindo seu progresso. Ele chegou a um certo nível, mas não conseguiu progredir sem a forma correta. Para aqueles de nós que usam o método de Charlotte Mason, é bom examinar nossa mecânica básica de vez em quando também.

Eu conversei com muitas mães que estão frustradas porque não parecem estar fazendo progresso algum. Elas chegaram a um certo ponto e parecem não conseguir ir além disso. Quando discutimos mais, geralmente há um componente que todas elas mencionam. É um componente básico de Charlotte Mason que pode fazer ou quebrar seu progresso: NARRAÇÃO.

Se você estiver fazendo uma lição de narração corretamente, você fará grandes avanços e seus filhos vão gostar de aprender. Se a sua forma estiver errada, no entanto, o desvio poderá impedi-lo de alcançar seus objetivos. Então, vamos examinar os fundamentos da narração – a forma correta, isso ajudará você a continuar progredindo e experimentando o sucesso.

Uma lição de narração de sucesso tem cinco etapas. Geralmente, quando uma mãe homeschool está frustrada com a narração, é porque está deixando de fora uma dessas etapas.

1. Escolha um bom livro vivo.

Alguns livros são quase impossíveis de narrar, mesmo para um narrador experiente. Se você está usando um desses, não fará muito progresso. Tenha certeza de que o livro que você está lendo, toca as emoções, inflama a imaginação, e pinta uma imagem que você possa visualizar mentalmente, como o autor descreve o que está acontecendo. Esse tipo de livro vivo – um que dá idéias, não apenas fatos secos – vai pavimentar o caminho para uma lição de narração suave.

2. Olhe para frente e para trás.

Esta etapa é provavelmente a que é esquecida com mais frequência. No entanto, é uma parte importante do processo e pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma aula de narração. Tire alguns minutos para se orientar. Veja como a leitura de hoje se conecta ao que aconteceu da última vez e prepare sua mente para o que será lido hoje.

3. Leia a passagem.

Uma vez que sua mente esteja preparada, deixe o autor compartilhar suas grandes ideias. Sua mente vai ganhar boa comida para pensar. Somente certifique-se de saber quando parar de “comer”, em vez de continuar empanturrando sua mente e não ter tempo para digerir. Em outras palavras, fique de olho na extensão da passagem que você lê.

4. Reconte a passagem.

Após a informação entrar em sua mente, você deve interagir com ela se você realmente quiser aprender. Considerando o que você leu, ponderando como isso se aplica a outras ideias que você obteve, colocando em ordem, lembrando detalhes, misturando com a sua opinião e, em seguida, transformar esses pensamentos em frases coerentes e dizer-lhes a outra pessoa, é quando o real aprendizado toma lugar. Charlotte Mason chamou isso de “Ato do Saber”.

5. Discuta ideias.

Quaisquer perguntas que sejam feitas devem ser questões abertas de discussão que incentivam mais interação com as grandes ideias do autor. Perguntas como essas e uma lição com todos os componentes descritos acima, manterá a concentração na alegria de aprender para o crescimento pessoal.

Caso se depare com “Isso vai estar em teste?” nos comentários, isso é um sinal de que alguma coisa está deslocada, sua mecânica está errada, e seu progresso será prejudicado. Vamos reservar um tempo nas próximas semanas para ver cada etapa com mais detalhe e trazer suas lições de narração de volta à forma correta.

 

Traduzido por Mariane Bessa

Reproduzido e traduzido com a permissão de Simply Charlotte Mason.

Obs: Esse texto é parte de um e-book disponibilizado gratuitamente por Simply Charlotte Mason ( https://simplycharlottemason.com/store/five-steps-to-successful-narration/ )

Livros Vivos Para Crianças de Zero a Seis Anos (Parte I)

Caro leitor, minha proposta aqui é clarificar o significado de “livros vivos” na filosofia de Charlotte Mason. Devo deter-me, neste artigo, tão somente aos anos iniciais que precedem a educação formal da criança. Começarei (Parte I) apresentando alguns trechos extraídos dos Volumes 1 e 5 da série de livros Home Education de Charlotte Mason, para deixar claro que o tempo livre para brincar é a sua prioridade para esta idade, e que deveríamos prezar mais pela qualidade dos livros do que pela quantidade deles. Em seguida, mostrarei exemplos daqueles que não são livros vivos (Parte II) e, por fim, daqueles que realmente se enquadram nesta classificação (Parte III).

  1. Sobre a Filosofia de Charlotte Mason

Em seu primeiro volume de livros, Charlotte afirma:

“Quanto tempo ao ar livre as crianças devem ter diariamente? E como é possível garantir isso a elas? Nesses dias de extraordinária pressão educacional e social, talvez o primeiro dever de uma mãe para com seus filhos seja garantir-lhes um tempo de crescimento tranquilo, seis anos completos de uma acolhedora vida passiva e, a parte acordada desses anos, gasta principalmente ao ar livre. E isso não só para ganho em saúde corporal: corpo e alma, coração e mente, são alimentados com sua comida apropriada quando as crianças são deixadas à vontade para viver sem conflitos e estímulos em meio às alegres influências que as inclinam a serem boas.”

“Considerar a vida fora de casa no desenvolvimento de um método de educação, veio em segundo lugar, porque meu objetivo é mostrar que a principal função da criança – seu trabalho no mundo durante os primeiros seis ou sete anos de vida – é descobrir tudo o que pode sobre qualquer coisa que observe por meio de seus cinco sentidos; mostrar que a criança tem um apetite insaciável por todo conhecimento obtido desta maneira; e que, portanto, seus pais devem se esforçar para favorecer  o livre conhecimento da Natureza e dos objetos naturais; mostrar que, na verdade, a educação intelectual da jovem criança deve repousar sobre o livre exercício do poder perceptivo, porque os primeiros estágios do esforço mental são marcados pela excessiva atividade desse poder, e a sabedoria do educador consiste em seguir a liderança da Natureza no desenvolvimento do ser humano completo.”

Destas duas citações podemos concluir que, para Charlotte Mason, os primeiros seis anos da criança deveriam ser vividos de forma intensa, não diante de livros, mas diante da natureza e das coisas presentes em seu ambiente, para que ela pudesse captar o máximo de coisas por si mesma, sem a necessidade de intermediários.

Quer dizer, então, que os livros não são importantes? É claro que os livros têm seu lugar, mas a preocupação primária de Charlotte era formar na criança a capacidade de se maravilhar, apreciar e desfrutar de tudo o que é justo, verdadeiro e belo; e o contato com a natureza é fundamental para esse deslumbramento. Portanto, ao dispor literatura para as crianças pré-escolares, devemos ter isso em mente: o foco principal não é a obtenção de conhecimento em si, mas o amor pela vida. Por isso, em seu quinto volume, Charlotte afirma:

 “Por esse tipo de cultura [cultura doméstica], refiro-me não tanto à obtenção de conhecimento, nem mesmo à aquisição do poder de aprender, mas ao cultivo do poder de apreciar, de desfrutar de tudo o que é justo, verdadeiro e belo em pensamento e expressão…. Algumas crianças, por direito de descendência, buscam os livros como patos buscam a água; mas o deleitar-se em um bom pensamento, bem colocado, não se adquire naturalmente.”

E, para forjar nas crianças esta capacidade de apreciação, é preciso criar nelas o gosto pela literatura de valor desde o berçário:

 “O hábito da leitura casual, sobre o qual o Sr. John Lubbock diz palavras tão sábias e agradáveis, é uma forma discreta de dissipação intelectual, que faz mais mal do que percebemos. Muitos que não leriam sequer uma brilhante novela de um certo tipo, sentam-se para ler besteiras sem escrúpulos…. O prejuízo começa no berçário. Antes mesmo que uma criança consiga ler de fato, todos os hóspedes de pessoas amigáveis demonstram seu interesse nela, dando-lhe de presente um “livro bonito”. Um “livro bonito” não é necessariamente um livro de imagens, mas um em que a página esteja bem dividida em diálogos ou parágrafos curtos. Livros bonitos para a idade da sala de aula seguem a mesma ideia daqueles do berçário e, superados o berçário e a sala de aula, estamos prontos para as mais fáceis novelas de “Mudie”; a sucessão de “livros bonitos” nunca nos falta; não temos tempo para obras de fibra intelectual, e não temos mais poder de assimilação do que a aluna que se alimenta de cheesecakes… Nós permanecemos “leitores pobres” durante toda a nossa vida.”

“Proteja o berçário; não permita ali qualquer coisa que não possua verdadeiro sabor literário; que as crianças cresçam com alguns poucos livros lidos repetidamente, e que não tenham nenhum cuja leitura não custe um esforço mental considerável. Isto não é um sofrimento. Atividade e esforço, seja do corpo ou da mente, é uma alegria para a criança.”

Para finalizar, faço algumas observações pertinentes com relação a escolha de livros, segundo a filosofia de Charlotte.

  1. É melhor que a criança possua poucos livros excelentes, cuja leitura custará esforço mental, lançará as bases para os livros de alto valor literário que deverão ser lidos posteriormente, e cultivará um apreço pela beleza das palavras, do que ter muitos livros fáceis, superficiais, meramente divertidos, que estimulam na criança a preguiça mental e a obtenção de satisfação sem custo.
  2. É preferível que a criança tenha poucos livros, mas que sejam profundos, a fim de que ela possa se fundamentar neles e digeri-los com calma. “Fora com os livros e com a “leitura” – pelos primeiros cinco ou seis anos de vida. A infinita sucessão de livros de histórias, cenas, mudando como um panorama ante a vista da criança, é uma dissipação mental e moral; a criança não adquire um fundamento sobre o qual possa crescer, ou não tem oportunidade de digerir o que recebe. É também contrário à natureza.”
  3. É preciso buscar livros que vão estimular a imaginação a partir do texto ao invés de tornar a criança uma receptora meramente passiva e dependente de imagens.
  4. É importante que o livro eleve as impressões da criança, tanto no que diz respeito às questões estéticas (da beleza das imagens e do texto), quanto no que diz respeito às questões morais e emocionais. A história deve possuir ideias vivas, que inspirem na criança o apreço pela nobreza de caráter, pelas relações de amor e serviço, de autoridade e obediência, de bondade, pela virtude.

Se você gostou do texto ou ficou com alguma dúvida, por favor, deixe seu comentário. Semana que vem estaremos com a segunda parte do texto, em que eu vou mostrar exemplos do que não são livros vivos.

“Leitura em Voz Alta” por Sonya Shafer

Desde o tempo em que meus filhos eram pequenos, ler em voz alta tem sido um prazer fixo em nossas vidas. Lembro-me de sentar no sofá com uma pilha de livros que meus pequeninos tinham selecionado alegremente, carregado, e dado a mim. Ainda posso vê-los em minha mente, subindo no sofá e se sentando ao meu lado para uma aconchegante sessão de leitura em voz alta no fim da manhã.

Nos últimos vinte anos, o cenário mudou, os livros mudaram, os ouvintes mudaram, mas o deleite se manteve, e até mesmo se aprofundou.

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“Como a Ficção Ajuda no Crescimento das Crianças” por Sonya Shafer

Minha filha mais nova tem viajado conosco para algumas convenções nos últimos meses. Em meio a diferentes locais e ambientes variados, ela se agarrou firmemente a uma constante: em cada viagem ela levou um livro clássico de literatura infantil.

Estes livros são velhos amigos dela: Uma Casa na FlorestaA Teia de CharlotteWinnie PuffO Jovem FazendeiroBeleza NegraOs Pinguins do Sr. Popper. Eles lhe deram muita alegria e muita coisa em que pensar e para crescer ao longo dos anos. Eles são companheiros dignos para a jornada.

Então, fico sempre um tanto triste quando um pai levanta uma objeção à literatura de ficção. E faço o meu melhor para explicar o quanto as crianças podem crescer ao ouvir e ler contos de fadas, literatura infantil clássica, mitos, fantasia e Shakespeare.

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[Dica de Leitura] A Loja dos Bichos- Peter Spier

Esse livro é um daqueles tesouros que você só encontra numa tarde garimpando uma pilha de livros no Sebo, pois bem, foi assim que o encontrei!

O livro conta a história de Mário e sua irmã Clarisse que ao visitarem a loja de Seu Antonio, se deparam com diversos animais, cachorros, gatos, camundongos, peixes e coelhos; e descobrem muitas curiosidades sobre eles.

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“Escolhendo Livros como um Perito” por Sonya Shafer

É bastante divertido observar os compradores na seção de frutas. Alguns se aproximam de uma cesta de frutas com medo e apreensão. Eles sabem que devem ser exigentes sobre as mangas que compram, mas não fazem ideia de como identificar se ela está madura, verde ou passada.

Outros quase não dão à manga um segundo olhar. Eles supõem que se está exposta, ela deve estar boa para se comer.

Por fim, há aqueles que são peritos em mangas. Eles não veem problema em passar vários minutos escolhendo entre as mangas em oferta, julgando atentamente a qualidade de cada uma.

Você vê as mesmas três mentalidades em livrarias e nos corredores das bibliotecas enquanto os pais escolhem livros para seus filhos. Alguns assumem erroneamente que qualquer livro nas prateleiras deve servir. Alguns desejam selecionar apenas os melhores, mas não sabem o que procurar. E alguns são capazes de encontrar o fruto mais saboroso entre todos os outros.

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“O Que São Livros Vivos” por Elizabeth Wilson

Um dos conceitos fundamentais de Charlotte Mason era que era de importância primária que todas as crianças estivessem confortáveis em casa com livros e fossem guarnecidas de livros interessantes, escritos de forma excelente, na mais ampla quantidade de tópicos possíveis – livros que materializassem ideias e ideais em harmonia com os valores tradicionais. Ela chamava tais livros de “livros vivos”, e sua própria vasta experiência como educadora demonstrou conclusivamente que quando uma criança tem uma contínua relação com tais livros, ela estará participando entusiasticamente da mais efetiva forma de educação.

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